estou a iniciar um texto. eu me concentro: e eu sei, eu vou perder um tempo. é como se fosse ter um filho ou fosse decolar, pular de um prédio. passo a ser uma extensão de mim. tropeço, como um bêbado. trago a embriaguez comigo. sou apenas um pacote de receios. sou eu, resguardo.
sexta-feira, 30 de março de 2012
e agora, você, que ainda é sem nome? | 3
escrevo, bebo e fumo como qualquer escritor bêbado e fumante faz. acontece que eu a espero para além do sexo. e que espera humilde poderia ser essa, eu não sei. não mudarei a história em nada. não mudarei o curso da história em nada, só porque espero. há quantas pessoas esperando no mundo, nesse momento? oito e dois. malpropícia hora para esperar.
'eu preciso desligar a tempo de pagar a conta', disse o sujeito ao meu lado, em um aparelho telefônico bem velho, já sem moedas, fichas, qualquer coisa do tipo. então eu entendo, e se eu não viver o suficiente para isso? só se espera em VIDA. depois, é tudo eternidade. e a eternidade é o oposto da espera. é como uma luz que se propaga no infinito, no espaço ou no vácuo. eu não sei nada sobre a física, nem sobre a luz. mas sei, rudimentarmente, que se não houver nada em que bater, em que parar, se não houver barreira, as coisas não existem. a eternidade é isso: uma propagação infinita que não se sabe em que lugar começa nem em qual lugar termina. eternidade é inexistência. e ela nada tem a ver com a memória. o infinito não tem nome, nem forma. não tem comprimento, peso, medida possível. talvez por isso o amor seja constantemente agraciado com esta injúria. é uma ideia atroz esta.
é neste sentido que tenho questionado o amor. e talvez esta seja o melhor exercício que pensei em fazer nos últimos dez anos - ainda que ache que não vivi o suficiente ainda para me situar, temporalmente, em décadas. mas eu continuo em disparada em direção a ideia contraditória do tempo - que nada sabe sobre mim, e, eu, que nada sei sobre ele. seremos desconhecidos até quando, o tempo e eu? nós mesmos?
[...] relacionamentos são cadeiras nas quais você se senta. sala fechada, só a de reunião - e talvez nem isso. a vida é um salão a céu aberto. você escolhe as cadeiras nas quais chove, nas quais o vento não chega, nas quais o sol pode fritá-lo até os ossos. você pode mudar de lugar em um relacionamento? ora cadeira ocupada, ora lugar vazio. então eu só sei se chove, quando chove. eu sei se queima, quando faz sol. empirismo. aos poucos você se escalda de chuva ou de luz. já não se senta mais no mesmo lugar, na mesma posição, no mesmo conforto de antes. embrutece. depois você conhece alguém que faz com que você queira experimentar tudo de novo. alguém que quer 'além de entrar, sentar para tomar um café'. mas nem errar de novo, nem acertar com facilidade. os fantasmas existem. os seus, os meus, meu bem. por isso só existe uma pergunta possível: você joga? que não seja breve.
poesia de nada
é
como
vencer o tédio
minimo dos dias.
você prefere ser moça ou
se
pudesse, gostaria de ter sido outra?
noutra vida, talvez,
talvez, noutra vida.
quarta-feira, 14 de março de 2012
cartas marítimas | 5
quero muito voltar ao brasil. acho que vê-los será de grande alegria para mim. será que ainda poderemos frequentar os mesmos lugares de antes? fumar cigarros nas mesmas praças? faz tanto tempo que estive aí! mas imagino que mesmo dentro de sua impossibilidade de caminhar durante esse período depois da cirurgia tenha sido de grande influencia sobre a literatura que me mandou. santos sempre esteve como uma moldura sua para mim, você lembra quando falávamos sobre isso? agora, contudo, sinto você e este contexto independentes - ainda que haja em suas palavras tanta felicidade honorária. foi em santos que cresci, então pensei em levar uma cesta com damascos frescos e lanches, passaríamos o dia na praia - mas deixarei os biquínis em casa, dizem que os velhos começam a ir de roupa a praia depois de certa idade - levarei rascunhos para as ideias e nenhuma pressa.
tenho escrito uma autobiografia um pouco saturada, talvez porque sabrina conseguiu desconstruir a figura literária que tinha dela. estou voltando a construí-la, aos poucos, voltando a fazer dela uma ficção vital da minha realidade aqui. tudo tem sido muito silencioso e contido. mas ela é uma nova mulher agora. encontramos um vilarejo aqui perto, há umas vinte milhas de fildsville. eles tem um café brasileiro delicioso - e é sobre esta simpatia do brasil que sabrina e eu voltaremos a existir. tive que retomar a malemolência da paixão, mesmo que tivesse tido robusta vontade de esquecê-la.
quarta-feira, 7 de março de 2012
e agora, você, que ainda é sem nome? | 2
terça-feira, 6 de março de 2012
e agora, você, que ainda é sem nome?
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
o que era para ser uma carta logo se tornou um sonoro 'some daqui agora'
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
cartas a alguem bem longe
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
cartas de alguém bem perto | 4
fiz um plano para esta noite e gostaria que você soubesse disso. achei inadequada minha camiseta do jack daniels para esta ocasião, para o bar ao qual vou hoje, mesmo sabendo que você a adora por 'motivos obvios' como você disse, e eu achei uma graça. ainda tenho a impressão que vou ve-la toda vez que a coloco - ela já carrega um pouco dos seus olhos sobre mim. imagino onde estarão seus olhos de sono hoje, de novo, ou seus cabelos que me diziam 'vou dormir, venha comigo'. hoje, pus uma cor diferente no meu cabelo, tentando ser outra pessoa na hora de sair. as pessoas me oferecerão cerveja e talvez copos cheios da boemia da cidade e das noites. aceitarei, da mesma forma que aceitarei meus cigarros sem relutância. aceitarei a noite de hoje mesmo intrigada imaginando o lugar em que deve estar o seu copo, seu corpo, suas pernas. o tempo passa diferente nesta cidade. tenho a impressão de você ter pegado um onibus que deixou este lugar em que estou, o que agora me faz ter vontade de querer pegar o carro e ir também. hoje, me sinto razoavelmente feliz com o caimento das minhas roupas, e devo continuar a usá-las ate domingo. gostaria de deixar uma memória das minhas saudades sobre elas, do meu cheiro de hoje. nada deste dia se guarda? talvez vontades desastrosas - quase sobre humanas - também consigam construir histórias. hoje, ainda sinto a mesma falta de ontem, de seus cometários invertebrados sobre o passado. cidades não são nada além de fronteiras. damn, i miss you.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
out
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
seis primeiros meses
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
never travel without my diary
sobre a morte, sobre o tempo e sobre o amor.
domingo, 22 de janeiro de 2012
izabella e suas metáforas sensivelmente reais
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
cartas marítimas | 3
com urgência,
ana.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
à ana | 17
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
cartas marítimas | 2
é imensa minha alegria de ter recebido sua carta. talvez exista um cansaço real sobre as pessoas. alguma coisa que as tem feito ter necessidade de desacelerar, e as faz sentir meio acolhedoras, meio quase cafonas. sinto que é bom que a vida tenha tomado este rumo, de certa forma. assumo, que mesmo todo costume que desenvolvi perante esta cidade, o frio ainda me faz perder um pouco a mobilidade das juntas do corpo - engraçado é pensar que isso que me imobiliza também me faz querer estar mais perto de sabrina, quieta e serena. os damascos ainda são tantos, como já lhe disse, e ainda me espantam como são frescos e cheios de cor. você precisa vir, minha amiga, conhecer este vilarejo - garanto que ele lhe traria grande inspiração. há uma quietude acolhedora em tudo, mesmo que estejamos sempre a beira de um silêncio quase enlouquecedor - há de haver cuidado - é assim que nos mantemos sãs. fico feliz em saber que sua cirurgia aconteceu como planejado. sinto, contudo, nao estar ai para lhe fazer companhia. você ainda prefere suco com limões sicilianos? aqui eles existem aos montes tambem. tenho saudades do mar - mesmo que o tenha visto pouquissimas vezes. e acho ninguem pode ser verdadeiramente feliz sem ter visto o mar de perto. não tenho escrito grandes invenções mirabolante, nem fugas descabidas da realidade. contudo, gostaria de me apaixonar mais uma vez ainda se pudesse antes de morrer. mas talvez isso não seja possivel. quando me mandar seus manuscritos, eu devo ter algo para lhe enviar também - mesmo que sejam coisas mais antigas. quanto a pedro, não se aflite. espero que ele comece logo as férias - porque imagino que esteja ansioso para cuidar de você, mesmo com aquele jeito mais reservado dele. o cuidado faz bem às pessoas.
espero que suas pernas se recuperem logo entao, assim como espero uma visita de vocês. posso colocá-los no quarto dos fundos, o antigo atelier de sabrina que foi feito com uma madeira bem grossa e mantem o lugar sob uma calefação quase natural.
um grande beijo,
ana.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
à beira de uma estrada vazia, ninguem pode convencer-se
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Ana e as festas | 2
Ana e as festas.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Ana e as festas
Ana e as festas.
A paixão do outro enraivece ao passo que a minha parece completamente íntegra. Eu não tive vontade de voltar para dançar com você, eu diria a ela. A dança é a forma mais imoral de aproximação. Na dança as mãos caem sob o juízo duvidoso do acaso, enquanto um se dilata e o outro se contrai, quase foge, eu tive vontade de voltar para ajudá-la. Ajudá-la a por o pratos em ordem, lavar as louças, jogar as latas, limpar a casa. O corpo tomba para o lado do outro, como pretexto de quase nada, ate que os dedos segurem cabelos e cintura. As mulheres tem inumeros lugares aos quais eu poderia me agarrar duante a dança Acontece que as festas rapidamente escapam do controle e, enquanto são o incomodo de uns, tornam-se o palco de outros. Eu tive vontade de cuidar, não de possuir; e deste zelo feito de posse, Sabrina parou a musica e apontou a porta. Seus olhos me consumiram toda. Eu nunca deveria ter chegado àquela porta com insistência – porque ali, quando eu saísse, no instante em que eu saísse, ela bateria aquela placa de madeira nas minhas costas, e subiria as escadas de volta correndo, desaparecendo da minha vista. Não coloquei o braço a frente para puxar seus cabelos, ainda que a minha vontade tivesse sido essa. Sabrina não dançou. Mas desfilou sua condição de mulher pelos cômodos da casa toda – não varreu o chão, mas sobre os tacos e rejuntes fez celebrações indígenas e reverenciou ao publico seu próprio cabaré [...].
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
cartas de alguém bem perto | 3
sábado, 24 de dezembro de 2011
felicidade são horas? | 2
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
felicidade são horas?
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
à ana | 16
domingo, 30 de outubro de 2011
à ana | 15
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
a cabine | 6
cartas curtas de alguém bem perto | 2
pouca coisa nos faz completar.
quase tudo nos tortura um pouco.
pouco e nada nos basta.
agora para. para com isso agora, rita.
felicidade são horas | 3
terça-feira, 25 de outubro de 2011
eu me lembrei de você hoje, história
sábado, 15 de outubro de 2011
à ana | 14
que continua fazendo história sem deixar de nos construir a cada dia.
obrigada.
eu te amo.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
ana sobre o bom tempo | 2
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
pedro e claudio
pedro! que bom que seu nome voltou a me ocorrer agora, pensei. pois que as pessoas que não tem nome são pessoas sem passado. eu entrei como se fizesse parte daquela luz, daquela poeira flutuante no sol. eu já tinha estado ali em outros tempos, cujo espaço entre os móveis era maior. seus olhos me afundaram? perguntei se ele estava sentindo dor. ele perguntou se alguma vez eu tinha sentido saudade.
-- claudio, nunca mais achei a blusa estampada, aquele que compramos no rio, lembra?
fechei e abri os olhos como quem não quer ver, não queria saber do passado em comum. e foi logo sentando na poltrona do canto, distante dos outros sofás. acendeu o baseado e esperou o som familiar do reencontro. era um cheiro familiar. pedi um trago, ou uma bicada (eu nunca soube usar suas gírias). ele me estendeu a mão e o espaço entre nós, antes abismo, tornou-se um vão. eu passaria apertado por lá, mas me contive e estiquei a mão em sua direção também. acomodei-me com a bolsa ainda pendurada no corpo.
-- não pedro, eu não faço ideia de qual blusa você está falando.
-- você só lembra do que realmente quer. senta!
então eu busquei um canto confortável no sofá xadrez, igualzinho de quando estive lá pela última vez. e a poeira da sujeira dos móveis gritava mais do que o café, mais do que eu mesmo. vai, pedro, pergunta logo! e pontuava a conversa, e burilava aos poucos. se disse que precisava conversar comigo, mas o que mais, eu pensava, teria de dizer? que tinha dez anos a mais do que eu, eu já sabia. que aquela noite derradeira, que os arranhões no corpo, que a mesma adrenalina que o despiu ou a entorpecência que o trouxe junto ao tédio foi o que o fez ir embora. eu já sabia disso tudo. acontece que o sofá era confortável mesmo assim, e genioso, fazia com que eu me adaptasse a ele. apoiei os punhos:
-- o que foi, pedro?
_________________
parceria com dayane rodrigues,
do blog "palavras bambas"
link: http://palavrasbambas.blogspot.com/
talentosissima!
terça-feira, 4 de outubro de 2011
cartas de alguém bem perto
há listas mundanas, pessoas de tão longe.
há tanta gente perto que já não sei mais se quero.
há tanta coisa que não entendo,
ainda que tudo me inquiete.
eu me permito o esquecimento e a lembrança.
eu gaguejo um pouco enquanto falo
e tenho quase certeza que me encolho um bom tanto quando deito.
em ser razão, eu me estico.
ao ser paixão, eu fico, eu permaneço.
não sei ser só do outro, nem tampouco, toda de mim.
eu vivo sempre mais embaixo, no mundo das trocas.
você não?
domingo, 2 de outubro de 2011
felicidade são horas | 2
você já tinha pesado em passar a vida inteira no mesmo lugar? e qual lugar seria esse de dançar longe e tanto? foi por isso que nos sentamos aqui, márcio? você tem dançado durante a vida toda? eu também não. talvez sua disponibilidade me tenha inundado. e eu me deixei atrair, e me deixei inundar para perto de você. o que há proximo de nós agora? o meu cabelo feito onda, meu pouco sono, minha falta de coordenação... há uma proximidade tão desconhecida e tao familiar em você. você me segura?
márcio
você, menina, cuja beleza eu jamais poderia ter dito. tive que pousar meus olhos sobre você porque sua imensidão me puxava e me abatia os brios tempo após tempo. era claro que eu não havia dançado nada antes de você. não a este balanço, pelo menos. já estive aqui, mas este lugar é completamente diferente. você parece que se descola da paisagem, do banco, parece que te projeto no mar com a roupas voando ao vento. tenho vontade de pegá-la nos braços e sair correndo, ou como pássaro - bem rápido, que plana rasteiro e muito rápido sobre a agua. e justo de você que ora me dá a mão, ora me estende os olhos, noutrora balança os cílios e se encolhe. é você quem me convida para dançar. seu rosto é lindo. eu te conheço?
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texto baseado no conto de dayane rodrigues, "decupagem"
do blog: http://palavrasbambas.blogspot.com
link: http://palavrasbambas.blogspot.com/2011/09/decupagem.html
felicidade são horas
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do blog: http://palavrasbambas.blogspot.com/
link: http://palavrasbambas.blogspot.com/2011/09/decupagem.html
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
é o bom tempo que convida a um passeio | 2
terça-feira, 27 de setembro de 2011
ana sobre o bom tempo
ana acorda. coloca o braço na poltrona, fecha os olhos e volta a pensar. de repente aquilo já tinha se tornado uma história - não dela, literatura, mas da realidade da outra. pois que para ela a mulher voltava a janela todos os dias, para ver o que pareciam ser fitas métricas, botões ou tosouras que alice, olivia ou clarice usava. sabia vê-la durante o dia, mas saberia ela imaginá-la quando escurecesse? o final da tarde não conta, não é escuro o suficiente. nada por volta das 18hs deve contar. então conta com o que vê, com aquilo que sabe contar e lhe cabe nos dedos. ainda seria preciso atrever-se, mas essa mulher era nova demais para ela. ainda vai mantê-la suspensa no ar, noutra janela, por mais três ou quatro páginas. este cenário de troca era diferente e tinha puxado ana de outra maneira. sentia uma vontade de voltar a escrever o tempo todo, e ao mesmo tempo que precisava fazer dela prosa, precisava vê-la atentamente.
ainda com os olhos fechados, sabe que o sexo durante a semana é infinitamente mais excitante pela falta de expectativa. a transa de quarta-feira, da segunda de manhã, da terça a tarde, do lanche que durou dez minutos. a intenção sexual do final de semana é sempre parecida demais, então pouco teria a falar sobre isso. o jantar, o filme, os corpos, o sexo. a quanto tempo está vestida? a quanto tempo não recolhe a toalha do cansaço e joga a toalha do banho? há tanto tempo, pensa ana.
é como o bom tempo que convida a um passeio
sábado, 24 de setembro de 2011
de quem que foi?
que se curva sobre o samba
como quem lê um poema
ri, mulher doida,
que esteve sobre perna bamba
amena e indócil
terrivelmente enorme
vi, mulher noite
que fiz um festim
mesmo em cetim pouco,
e riu muito
comigo
pra cima
de mim.
e vê, mulher moça
que não sei deixar de fazer prosa nem que tente.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
à ana | 13
ha alguma forma DE LHE falar que o amor que sinto por você vai além de coisa QUE SINTO, DE ESFORÇO QUE FAÇO, DE CAMA QUE DEITO. MESMO quando em TANTA CONVERSA MINHA E SUA NAO tivesse havido DITO NENHUM. HOUVE APENAS SEXO, QUE FOSSE. ERA TUDO QUE TINHA. MEU CORPO E SEXO oferecidos a você, A MULHER MAIS LINDA DO UNIVERSO MEU. VOCÊ. QUANDO TUDO HAVIA BRILHADO diante de ti, eu não vi o fim, mas eu vi o único recomeço sob minha chuva de folhas amareladas do outono que era você. uma mulher não houve antes de ti, entenda. houve apenas desenganos, passatempos inúteis antes de ti. o fim, se aproxima. o fim da vida. eu e você com cento e oitenta e dois anos. viveremos assim? sonharemos ainda assim, como meninas de uma vida infame, quase enferma, mas já sem doenças do corpo, sem crateras na alma, cheias ainda de coisas que te puxam e sonhos que te trazem, os mesmos cujos anjos trouxeram você um dia. não sei o endereço desta casa, nem mesmo memorizei a rua que você mora, mas saberia chegar ate você. não por caminhos, mas pelo teu cheiro, que cegamente me guia, ate você, ate a cama em que fizemos nós, em que recitamos nosso futuro, em que fizemos filhos. pois que foi na cama em que me trouxe rosas que eu me apaixonei... é, foi nessa cama que te esperei, não com os braços abertos, mas com a vida completamente entregue. tua casa é completamente linda, teus braços, sua blusa com botões pela metade abertos. abertos por mim, ou pela vida que veio antes, que fosse. serei eu a fechá-los todas as vezes. o passado tinha ficado em outro tempo, cujos esquecimentos eu só poderia perder a memória para lembrar. subi, gritei teu nome, te encontrei. e agora? a vida apronta para nós, não uma cilada, mas um cama.
POR QUANTOS ANOS ESCONDEU TEU TALENTO DE MIM, OU TEUS DESALENTOS? QUANTAS DUVIDAS TEVE ANTES DE EU CHEGAR? ANA, SOMOS UMA DA OUTRA. SOU TUA, MINHA. MINHA CUJAS PERNAS DOBRARAM, CUJOS BRAÇOS DOBRARAM, NAO NO GOZO, MAS NA MAIS ALEGRE EUFORIA QUE EU LHE PODERIA DAR. NAO ME RECUPERAREI DESTE AMOR. VIVEREI ETERNAMENTE NELE. DISPOSTA, FIRME, FRANCAMENTE. SOU TUA. ÉS MINHA.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sobre perdas & ganhos
perder é estar privado de alguma coisa, é deixar, é interromper a presença em alguém ou em algum lugar, é deixar de ser visto ou ouvido, é desaparecimento, perda de controle, de juizo, das estribeiras, do norte. quando a gente perde, perde-se a hora, chega-se atrasado com frequencia, perde-se tempo, esforça-se em vão. a perda pode ser também a perda da vez de fazer, da vez de esperar, da vez de ir embora. é só cuidado para que nao se perca a chance antes que perder signifique perder a vida. a perda também é recuo, mas é, acima de tudo, perder-se de amor. apaixonar-se.
ganhos
ganhar é adquirir, é ter lucro sobre alguma coisa ou sobre alguem. ganhar é tirar proveito, é fazer dinheiro. ganhar é alcançar vantagem, ou fazer sucesso, é vencer um debate, uma competição, uma luta, uma guerra. o ganho é a captação de recursos, o ganho de confiança em si próprio. o ganho é a obtenção pelo acaso, a loteria. ganhar é estender-se, mas é como o fogo que estende-se pelo edificio, o toma, e o desfalece em seguida. ganhar é atingir meta, é chegar cedo, é postar-se a porta. o ganho é progresso, é melhoramento. o ganho está relacionado a comparação com os outros. ganhar é ser mais vaidoso do que o outro, é impor-se mais que outro. mas ganhar, acima de tudo, a crescer. desenvolver-se.
terça-feira, 28 de junho de 2011
à ana | 12
segunda-feira, 11 de abril de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
à ana | 11
ao carnaval de ana, em casa de ana.
em quantas festas quantas vezes você já se sentiu à vontade? há um estranhamento, claro. mas o que a principio não é estranho? então você começa a andar pelo salão: reconhece pessoas, desconhece casais, já não imagina o porque daquelas crianças. vê roupas, cabelos, vestidos horriveis, inadequação da moda. a beleza das festas tende a estar parada, e quando o seu olhar para: você a reconhece. em um canto, sentada quase ao seu lado, a beleza da festa, a unica beleza festiva possivel.
ah, ana! penso em tanta coisa. penso até em nossa geladeira cheia de suas garrafas de plástico cheias de água. queria ter-lhe escrito uma confissão, mas minha intuição só aconteceu agora que me deitei. estava esperando ainda que você saisse do banho. pois que hoje não vou acender a televisão, nem fazer musica, nem serenata: quase nada. hoje à noite, só o silêncio descendo aqui nesta casa-lugar. eu me casaria com você - não hoje, entenda - mas na vida. quem foi que te trouxe? pois que não me responda que foi a vida, porque eu já não acreditaria. eu dormi, mas naquela hora não. eu dormia porque era a sua parte anjo que falava, e era a minha parte anjo que escutava você falar também. eu me apaixonei outra vez. foi como se você buscasse na parte mulher o que sentia e de forma doce colocava as palavras organizadas em sua boca. anjo, que mexeu os lábios para falar de saudade na medida em que apressava o coração: naquela hora eu não tive pressa. porque mesmo que as vezes as nossas malas pareçam pequenas no mundo e grandes no quarto, eu voltaria para este sono infinitas vezes. porque minha cabeça tinha feito as pazes, depois fez as malas - naquela hora que tinha parado de fazer de conta.
minha recepção foi quase uma pergunta: o que você veio fazer aqui de volta, além de tumulto? respondi em pergunta para mim também: e como você tem estado sem eu estar aqui? você me vê indo embora eu já me vê longe? há quanto tempo, exatamente, você me vê de longe? eu construí um muro ou eu só tenho estado morando há quilometros de distância? você perguntou como eu estava hoje? eu também não quis saber.
ainda ouço, e ainda sinto as pequenas correntes de ar formadas pela sua respiração enquanto você dormia. estive presente. pus meus braços em todo lugar de nossa dança de sono. houve pernas de um lado a outro, você se lembra? e você me acompanhou em todos os passos - e mesmo eu, que bem pouco danço, me reinventei naquela coreografia meio sonho, meio saudade. pois que dormir abraçado, ana, não é deitar-se junto - mas é dormir e manter-se de braços dados, nos braços do outro não somente sobre o colchão, mas no compartilhar terno do sono. foi assim que você me encontrou? porque eu sei que minha alma emerge do corpo quando durmo e sai a te buscar na rua. foi assim que te encontrei? porque quando minha alma voltou ao corpo, depois do primeiro beijo, deitou-se calma sobre mim e disse: aconteceu algo. e essa frase, bem pequena e silenciosa, fez um eco dentro do universo inteiro - e você pensou, ainda que sem entender: aconteceu algo. é, aconteceu.
domingo, 6 de março de 2011
a história do homem mundo
quarta-feira, 2 de março de 2011
à ana | 10
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
à ana | 9
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Texto de tempo de musica
Mesmo à frente, por quanto tempo você espera alguma coisa acontecer? E se você não sabe o que acontece, você põe suas pernas para fora mesmo assim? Tua alma já viu essa rua? Essas folhas já caíram sobre seus pés algum dia ou teus risos já desafinaram aqui? Teu violino ainda me espera? Espera por mim. É, espera por mim porque eu fui ali e já volto. Porque eu sei que te ama muito o amor que te espera.
E espera.
VAZIO. Trem vazio de nós. Caixa vazia de recados seus. Mensagens suas, bocas nossas vazias. Vazia de mim, é você. Espaço, divisão de coisas suas que ficaram aqui, em segredo. Seus cd's ainda em uma caixa, suas caixas ainda em sala minha. Minha vida nas caixas que sobraram vazias. Que sobra de ti ficou aqui? Aqui tem um sol, o único sol possível daqui que veio ocupar, sem matéria, sua presença. Você foi – ou ficamos nós, sós, em um tempo? Minhas borboletas voaram, e você, deixou suas andorinhas assistirem ao belíssimo pôr-do-sol de hoje? Qual é a vista do lugar em que você está? Ainda me pulsa você.
sambas defendidos com alegria
pedi um samba ontem, ao homem que desfilou aqui em frente. fosse a razão que fosse, fosse porque eu não cantava seus versos ou porque imersos estavam em mim outras palavras de canto, eu não sei. esse samba trouxe de volta nas saias rodadas o ritmo, a precisão que eu conhecia. depois, os dias continuaram a desdobrar a imensidão de alguém. e do desdobramento dessa possibilidade, foi que sonhei você.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
seus preços
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
à ana | 8
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Feliz natal
O questionamento é a natureza mais autêntica da vida, mas a quem responde à vida? Dê uma chance a sua essência: o que te ilumina é a mesma coisa que você? Talvez seja a felicidade, a desgraça, ou um momento imprevisto do coração que o faz parar. Quantas vezes o seu coração foi assediado por uma resposta? Quantas vezes você já foi inundado por um olhar? E você, tanto quanto eu, reconhece as leis, as estações, o ritmo do amor que está disposto a dar e receber? Não existe prisão pior do que o medo de causar dor a quem nos ama. Há alegrias e sofrimentos prometidos pela vida, é verdade, mas às vezes, no entanto, a vida é por si só urgente o bastante. Nosso coração sempre nos excede porque dali surgem os espaços em que o nosso espirito respira.
Acho que eu aprendi a guardar a vida – seja ela uma moeda ou uma pérola. Seja ela um passeio, um dia ou uma pausa. Deve ser eterno o sonho de fazer alguma coisa. E eu aprendi que há muita coisa entre o céu e este lugar, que a sensualidade pode ser cafona muita fácil, que a desintoxicação vem de dentro pra fora, que há coisas completamente impossíveis de se dizer. A vida é o eterno exercício da constância, então, paciência, porque é preciso aceitar-se em tempo próprio – em que as coisas são verdadeiras no seu próprio juízo, e não no juízo dos outros. A ignorância não tem nenhum charme, a sorte não é algo que grita, a beleza não olha, só é vista.
Então a preocupação deve estar direcionada o que nos inquieta: o que inquieta você?
Porque me inquieta saber que as roupas dizem muito sobre as pessoas, que nem sempre critério pressupõe justiça, que certas coisas não são objeto de contrato, que palhaços não querem fazer rir, mas querem ser aceitos, que é preciso passar pelo rudimentar antes da chegar à poesia, que há quase uma brutalidade entre achar e ter certeza e que as pessoas são as únicas coisas do mundo que falam.
É belíssima a imagem de um corpo que não tem peso porque se sustenta pelo que sente quando diz, no instante em que diz, e torna-se imaterial quase, levíssimo, sobre tudo. Pela sutileza das coisas bonitas de verdade, eu aprendi que é por elas que devemos parar porque ai encontramos finalmente as pequenas faltas de ar que verdadeiramente nos inspiram na vida. Portanto, viver de sonhos não traz felicidade; mas sim os momentos de compaixão, racionalidade e até auto-sacrifício. Um Feliz, não só, natal.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
uma chance à essencia | 2
uma chance à essência
aqui está a capa das coisas minhas. você também sentiu esse vento que deixou os versos conosco? eu sou uma mulher: e tu, o que és? tudo entardesse. são pássaros estes, ou são os recados que você tem me mandado? recebi suas flores, seus ombros. seus sonhos, não os recebi. a vida é um sonho. eu estou acordada. e você, como está? são olhos de coca-cola esses seus, me disseram. e eu disse, não sei, são quais olhos esses que me veem? são olhos de ver longe ou são olhos de aproximar, para que os outros vejam detalhes? entendo, não são olhos de ver a morte, nem olhos de celebrar a vida. são olhos de ti, que viveu sob a recompensa de morrer leve - de não terminar, mas de fazer tudo. aqui está a música dos ouvidos meus. você também sentiu essa chuva coalhar a água do seu choro, como fez coagular o sangue que me deixou o corpo? esse som é familiar, esse tom, esse grito feito de música. para tudo eu retorno. você está acordada? eu ainda estou aqui.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
o seu rosto, mostra ao povo
sábado, 18 de dezembro de 2010
à guerra
Nós | 3
Eu não vejo a cor da primavera. Desceu sobre mim uma malha de aço, grossa, de cor cinza. Essa malha grudou na frente dos meus olhos também. Que compromisso é esse ou o quão omisso é isso? Eu vejo um desejo tão estranho e tão disforme – já tão conforme nada. Eu me perdi? Eu me lembrei. Eu me lembrei de que o tempo é que era uma coisa muito estranha. De que uma semana poderia demorar meses e um dia, acabar em horas. Quantas horas há entre nós? Quanto espaço físico ou quanto futuro? De quanto é o tempo físico?
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Nós | 2
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Nós
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
à ana | 7
eu escuto seu coração daqui, te ouço respirar. você me deu a mão e me puxou: já não estou mais aqui. conheci a vida de verdade, passei a existir. eu posso sentir você agora. eu sinto, toco, vejo. você tem cheiro, gosto, está viva, respira. suas veias dilatam quando eu me deito, teu ombro me segura, teu corpo inteiro me abraça. é incrivel. não são tuas essas palavras, nem minhas. é nossa essa história. eu amo a nossa vida. o meu amor existe, e é você - meu amor tomou forma de mulher. meu amor eu vejo completo e para além do olho. porque se vejo os lábios, já te sinto o beijo. se vejo o corpo, já te sinto o sexo. se estou aqui, existo ai. se existo, já não penso. esse amor não me fez perder os olhos, mas me abriu para a possibilidade de ver depois de estar cego. estive cego, há anos atrás. agora tenho um ambiente sem luxo e com tudo. agora eu posso ser transparente. na nossa loucura, vivo uma interessante inteligência. você era um desfile e eu passei pela tua frente, como se somente fosse possível que nos seguíssemos, um após o outro. depois de mim, há apenas você. larguei as roupas na beira da cama, larguei os pés, soltei os braços: você me trouxe somente você. a minha idéia de ser feliz é ver você dormir e te fazer perder o sono.
sábado, 13 de novembro de 2010
eu te amo
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
a cabine | 5
da janela poética:
é importante não se convencer com teorias vazias. ana Laura tem poucas manias. eu a conheci em um café, em um convite que ela fez. eu achava engraçada a sua forma de fumar, muito desconexa e própria. eu a conheci quando ela aceitou um café e pagou por ele. explico: ela vestia uma calça jeans de jardinagem, luvas saindo dos bolsos, uma blusa cor de café com leite bem fraco, óculos. ela me disse que não havia vasos grandes em seu apartamento, apenas uns quatro ou cinco pequenos no parapeito da janela da frente. disse que ali se intercalavam as cores: dois deles bem verdes, um amarelo – que depois eu chamaria de seus pequenos girassóis –, e um quarto de violetas bem minúsculas. eu não tive tempo, nessa vida, de cuidar de suas flores. eu tive tempo de percebê-las e só; claro, eu tinha me emocionado nas suas respostas rápidas e nos seus silêncios que duravam semanas. ana Laura é completamente difícil de esquecer – muitas vezes não por ela mesma, mas pelo que ela representa. ela era a coisa viva na qual eu tinha me apoiado. ela era uma mulher de tema coerente nas atitudes. o exercício para ela era sempre necessário. acontece que o exercício em excesso é o que se tem de mais próximo da doença. ela fazia inflexões sobre as folhas escritas bem no meio da sala – o que transformava o nosso relacionamento em uma simples questão me empatia. o seu exercício era olhar as pessoas, enquanto o meu era olhá-la: ela, a minha mulher sinopse.