giravam em torno dela como uma grande festa; uma ciranda eterna. o envolvimento na dinâmica não a insentaria de culpa. perceber emoção não significa ceder emoção. a multidão não tem fundamento filosófico: a multidão é um estímulo coletivo. toda vez que vem, arma-se de paciência. se conhecesse, duvidaria - duvida conhecer, contudo. estavam anacrônicos, os sorrisos e os gemidos dos risos. demandaria tempo estabelecer uma relação plena de sentido. a multidão lhe abstém. aquele monte era a emoção que não se conseguiu integrar. eles tinham nuvens nos olhos. castelos de sorvete nos olhos, no céu. no céu, o céu e só. lembra tê-la cumprimentado, apertado sua mão: viu, eu mudei meu jeito! - como se tentasse atribuir-se ainda um pouco mais de crétido, disse. o pulso estava nos outros. o gosto estava nos outros. dançavam com ela, ora para ela. e lhe esbarravam no braço e nos cotovelos - queriam levá-la, prendê-la. tentavam fazer dela uma instância. a multidão era um degrau de gente, um tropeço. a multidão era uma partida: ou fosse embora, ou recomeçasse dali mesmo. preferiu, já na primeira vez, estagnar. o sangue corria fino e contínuo. morno. VOMITARIA. tragaria tudo depois de colocar tudo para fora. a multidão produzia sons repetidos e sem intervalos. a multidão não fazia silêncio - e quando tentava fazê-lo, enlouquecia. a multidão era pedaços de unhas de gente. gente que não era gente.
estou a iniciar um texto. eu me concentro: e eu sei, eu vou perder um tempo. é como se fosse ter um filho ou fosse decolar, pular de um prédio. passo a ser uma extensão de mim. tropeço, como um bêbado. trago a embriaguez comigo. sou apenas um pacote de receios. sou eu, resguardo.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
você faz parte da gente?
não pára. mas repara em mim como se eu fosse uma estátua. às vezes eu me sinto meio pedra, meio gente. a gente tem mania de valorizar cada defeito. e então enrolar um mal bem feito, como um trago de cigarro amassado no bolso.
- você sentou no maço, moço.
- eu peço desculpas!
eu faço um esboço: será que você poderia ceder um amigo, ou abaixar um pouco o valor do aluguel? às vezes eu me sinto meio faltante, meio falante. meio grilo. meio inseto gigante no pára-brisa do carro. não pára. mas repara em mim como se eu fosse uma revista - daquelas antigas, que se devora as figuras no banheiro. ah, a gente tem mania de comentar cada besteira. e então dizer vinte maneiras de presenciar uma mesma cena. a mesma cena.
- você sentou no maço, moço.
- eu peço desculpas!
eu faço um esboço: será que você poderia ceder um amigo, ou abaixar um pouco o valor do aluguel? às vezes eu me sinto meio faltante, meio falante. meio grilo. meio inseto gigante no pára-brisa do carro. não pára. mas repara em mim como se eu fosse uma revista - daquelas antigas, que se devora as figuras no banheiro. ah, a gente tem mania de comentar cada besteira. e então dizer vinte maneiras de presenciar uma mesma cena. a mesma cena.
E O QUE EU VEJO?
eu vejo que a gente tenta transformar mesa em cadeira,
eu vejo que a gente tenta transformar mesa em cadeira,
o tempo todo.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
fiquei sabendo que venderam votos
elas andam com roupas, com giletes, com tesourinhas.
-tia, são só dois reais.
-tia, são só dois reais.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
multidões
não procurava na multidão algo que lhe fosse familiar, mas que ao menos não lhe fosse tão silencioso. girava em torno de seu corpo aquele monte de corpo sem nome. não procurava alguém - se pelo menos conseguisse identificar um rosto, já seria o bastante. tão logo via um borrão de olhos, narizes e ouvidos. sem contar o som insurdecedor das multidões. pessoas que não são pessoas. tinha uma lembrança vaga de como ela lhe sorria os olhos, mas isso não era suficiente. tudo sumia como mágica. e surgia de novo, como se arrastasse o resto do cansaço para fora do corpo. tudo sumia como armadinha. e trazia de volta. a multidão era um grande rosto, com nariz de cabeças. olhos de pequenos sonhos. e os sonhos, como um reboliço, redundantes. gente que não era gente.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
sobre ana laura
ainda A CABINE, A JANELA POÉTICA:
guardou o caderninho de volta no bolso e cruzou os braços sobre os joelhos curvados em cima do degrau. abaixou a cabeça. notou que ninguém sorria em sua direção – os sorrisos são barulhentos, alarmantes. os dentes rangem quando se sorri. o tempo parece não passar no silêncio, apenas as buzinas da rua interrompem aqui e ali. ela está parada feito degrau de cimento. e está patética como sacola com chocolates e poemas. do tempo que decorreu, seu instinto não chegou a promover nada. deixou que ela ficasse ali sentada como um chocolate de um dólar – seu preferido. nenhuma pluralidade ou acontecimento fora do comum. nenhum exagero, apenas a mesma continência e uma cabeça curvada sobre a coxa, fingindo sono e fingindo a beleza poética que lhe é naturalmente de direito. não queria um documentário da vida, aquela coisa chata; mas uma descrição barata e eficiente. talvez fosse hora de parar de negar seu corpo perante outras pessoas. alguns já nasceram grandes, ela apenas nasceu. e não entendeu o porquê de não poder se sentar em um degrau na rua e esperar. pensa demais. reflete demais sobre si. sobra em cima e dos lados. extrapola-se. tem overdoses dela mesma. então encomenda um novo corpo pelo correio, contorcido em uma caixa de papel pardo – pois que seu corpo magro já não serve para nada. e que inferno: não consegue apenas abaixar a cabeça e dormir no próprio colo. precisa imaginá-la de olhos fechados. precisa fechar-lhe os olhos, tirar-lhe a roupa. precisa de tudo em um segundo, precisa dar mais tempo ao que durou um segundo, ao drama ou à cama mal vestida.
guardou o caderninho de volta no bolso e cruzou os braços sobre os joelhos curvados em cima do degrau. abaixou a cabeça. notou que ninguém sorria em sua direção – os sorrisos são barulhentos, alarmantes. os dentes rangem quando se sorri. o tempo parece não passar no silêncio, apenas as buzinas da rua interrompem aqui e ali. ela está parada feito degrau de cimento. e está patética como sacola com chocolates e poemas. do tempo que decorreu, seu instinto não chegou a promover nada. deixou que ela ficasse ali sentada como um chocolate de um dólar – seu preferido. nenhuma pluralidade ou acontecimento fora do comum. nenhum exagero, apenas a mesma continência e uma cabeça curvada sobre a coxa, fingindo sono e fingindo a beleza poética que lhe é naturalmente de direito. não queria um documentário da vida, aquela coisa chata; mas uma descrição barata e eficiente. talvez fosse hora de parar de negar seu corpo perante outras pessoas. alguns já nasceram grandes, ela apenas nasceu. e não entendeu o porquê de não poder se sentar em um degrau na rua e esperar. pensa demais. reflete demais sobre si. sobra em cima e dos lados. extrapola-se. tem overdoses dela mesma. então encomenda um novo corpo pelo correio, contorcido em uma caixa de papel pardo – pois que seu corpo magro já não serve para nada. e que inferno: não consegue apenas abaixar a cabeça e dormir no próprio colo. precisa imaginá-la de olhos fechados. precisa fechar-lhe os olhos, tirar-lhe a roupa. precisa de tudo em um segundo, precisa dar mais tempo ao que durou um segundo, ao drama ou à cama mal vestida.
domingo
não aconteceu nada de que se tivesse certeza. as frases sobraram em cima da pia como flagelos da pouca gente que eram. e agora sim as poltronas vazias traziam de volta o olhar dele, e o silêncio dele. e o jornal sem ler, o shampoo, o café sem beber. o whisky de domingo e os programas de auditório vão esperá-lo voltar. eu sei, a gente vai passar semanas nesse domingo.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
das trovas
deixe que ela me ouça. minhas palavras. silenciosas como ela, minhas palavras. minha moça, minha única moça, deixe que ela me ouça. e torça o que temos, como um lenço no pescoço. COMO UM BRINCO - como os brincos que ela engolia. e os olhos que ela devorava. e os cílios que ela cuspia. e o amor que tinha. e tinha. e tinha. tinha-me tanto que chegava até a dúvidas. ah, ela tinha olhos de tinta - eu penso - densos. minha poesia é ela. e dela.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
vive por aí, como dizem
ainda oito e vinte quando eu passei. jamais, estava a pensar. eu estive viajando há alguns dias - eu sei, posso me ampliar; a autoridade é muito singular. minhas competências são meus contatos. faz tempo que não a vejo - então tenho recriado sua imagem na minha cabeça, através de pequenos sinais; assim, pequena e especial. simples mesmo.
tenho receios em relação aos costumes que tinhamos.
tudo era muito visível - eu posso dizer isso com propriedade.
tenho receios em relação aos costumes que tinhamos.
tudo era muito visível - eu posso dizer isso com propriedade.
domingo, 19 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
A maneira como dói fazer doer
DE HOJE:
A minha cabeça está doendo. Eu a sinto doer como doença que não tem cura. Eu achava que doer fosse parte de um processo desconhecido de cura. Eu achava que os motivos certos tinham caminhos errados – mas não. Eu sinto minha cabeça doer como parto lento – eu já tive filhos quando os imaginei felizes. Eu já tive um apartamento pequeno para guardar qualquer coisa que quisesse esconder do resto do mundo. Eu a vejo sempre, aquela menina, como motivo de pausa e de consolo. Eu acho que eu perdi os movimentos do rosto. Do olho. Do canto da orelha. A minha cabeça está doendo. Eu acho que minha garganta secou. Por que tive que partir? Acho que saí de mim. Como que um corpo pode tanto se fazer mal? A minha cabeça dói. A minha cabeça rói a minha idéia. Eu não sinto inveja de mim mais. Eu nem sei mais quem eu sou. Eu acho que eu saí de mim – eu me vomitei. Eu me joguei no chão. Eu me pisei, e tenho me feito tola desde então. Eu queria focar, mas minha visão me parece tão estreita que eu não vejo nada. Eu queria ter coisas maravilhosas para oferecer, mas eu não tenho nada de bom. Eu só tenho dúvidas. E eu tenho uma cabeça que dói. Eu queria deixar de lado ansiedade, decoro, sabedoria. Eu queria não poder morrer de fome. Eu queria parar de chorar um pouco, de vazar um pouco, de transbordar um pouco. Eu queria ser mais para mim, eu queria acabar em mim. Eu queria ser só eu como companhia, já que ela acabou por me deixar também. Eu queria falar mais fácil – eu tenho me engasgado com palavras. A minha cabeça dói muito. Eu sinto de novo meus dedos finos e esse monte de ferida. O tempo não vai curar nada, eu sei disso. Diferente do que se diz, o que não mata não deixa mais forte. O que não mata me deixa com raiva. Eu tenho ódio dessa mania de ser feliz. Eu queria um mundo sem perturbações – ou um mundo em que as pessoas falassem e cumprissem. Eu não quero pena porque eu não sou doente. E só sou grande e não caibo no espaço dentro de mim. Eu tenho idéias espessas, gigantes. Eu tenho pretensão de pensamento, de filosofia. A minha cabeça lateja, expulsa. Eu acho que estou andando em círculos, que estou a fazer tantas coisas e ao mesmo tempo não fazer nada. Esse ano não quer passar. Essa fase não quer passar. Ela não quer passar por mim porque dói. Porque machuca me ver longe, eu sei, me machuca também. O tempo não vai curar essas feridas de hoje, hoje já está eternizado. O tempo parou durante a ausência que eu tive. Eu me sinto cega. Eu perdi meus movimentos do corpo – meu coração está pulsando para nada. Ela me ocupou inteira. Eu morro de saudades do tempo que eu dei para ela porque ele passava diferente. Eu sinto falta da demora. Da espera. Do significado das horas. Eu lhe dei horários específicos. A minha cabeça dói muito mais agora, quando eu lembro. Agora eu entendo como dói fazer doer. Como é ruim exemplo dentro de exemplo. Como é fácil saber o final da história. Como é impossível aceitar – fala-se tanto de aceitação, mas e depois? Provavelmente não se vai aceitar – pois bem, erro em cima de erro. Estrago sobre estrago. De mim, nada. A minha cabeça dói como chuva. Como nuvem. Como prazo que não termina. Como beijo de despedida. Dói como objeto. Como faca. Como desculpa. A minha cabeça dói como orgulho. Como sexo de graça. Como amor de graça. Como esmola. Dói como incomodo constante, como pedra no calcanhar, no rim; como pensamento que não cessa. Dói como o sorriso dela de dor. Como a cautela. Como disciplina. Dói como o medo de doer. De tentar. De salvar alguém. Dói como permanência. Como paciência. Minha dor é simbólica, violenta. A minha cabeça dói.
A minha cabeça está doendo. Eu a sinto doer como doença que não tem cura. Eu achava que doer fosse parte de um processo desconhecido de cura. Eu achava que os motivos certos tinham caminhos errados – mas não. Eu sinto minha cabeça doer como parto lento – eu já tive filhos quando os imaginei felizes. Eu já tive um apartamento pequeno para guardar qualquer coisa que quisesse esconder do resto do mundo. Eu a vejo sempre, aquela menina, como motivo de pausa e de consolo. Eu acho que eu perdi os movimentos do rosto. Do olho. Do canto da orelha. A minha cabeça está doendo. Eu acho que minha garganta secou. Por que tive que partir? Acho que saí de mim. Como que um corpo pode tanto se fazer mal? A minha cabeça dói. A minha cabeça rói a minha idéia. Eu não sinto inveja de mim mais. Eu nem sei mais quem eu sou. Eu acho que eu saí de mim – eu me vomitei. Eu me joguei no chão. Eu me pisei, e tenho me feito tola desde então. Eu queria focar, mas minha visão me parece tão estreita que eu não vejo nada. Eu queria ter coisas maravilhosas para oferecer, mas eu não tenho nada de bom. Eu só tenho dúvidas. E eu tenho uma cabeça que dói. Eu queria deixar de lado ansiedade, decoro, sabedoria. Eu queria não poder morrer de fome. Eu queria parar de chorar um pouco, de vazar um pouco, de transbordar um pouco. Eu queria ser mais para mim, eu queria acabar em mim. Eu queria ser só eu como companhia, já que ela acabou por me deixar também. Eu queria falar mais fácil – eu tenho me engasgado com palavras. A minha cabeça dói muito. Eu sinto de novo meus dedos finos e esse monte de ferida. O tempo não vai curar nada, eu sei disso. Diferente do que se diz, o que não mata não deixa mais forte. O que não mata me deixa com raiva. Eu tenho ódio dessa mania de ser feliz. Eu queria um mundo sem perturbações – ou um mundo em que as pessoas falassem e cumprissem. Eu não quero pena porque eu não sou doente. E só sou grande e não caibo no espaço dentro de mim. Eu tenho idéias espessas, gigantes. Eu tenho pretensão de pensamento, de filosofia. A minha cabeça lateja, expulsa. Eu acho que estou andando em círculos, que estou a fazer tantas coisas e ao mesmo tempo não fazer nada. Esse ano não quer passar. Essa fase não quer passar. Ela não quer passar por mim porque dói. Porque machuca me ver longe, eu sei, me machuca também. O tempo não vai curar essas feridas de hoje, hoje já está eternizado. O tempo parou durante a ausência que eu tive. Eu me sinto cega. Eu perdi meus movimentos do corpo – meu coração está pulsando para nada. Ela me ocupou inteira. Eu morro de saudades do tempo que eu dei para ela porque ele passava diferente. Eu sinto falta da demora. Da espera. Do significado das horas. Eu lhe dei horários específicos. A minha cabeça dói muito mais agora, quando eu lembro. Agora eu entendo como dói fazer doer. Como é ruim exemplo dentro de exemplo. Como é fácil saber o final da história. Como é impossível aceitar – fala-se tanto de aceitação, mas e depois? Provavelmente não se vai aceitar – pois bem, erro em cima de erro. Estrago sobre estrago. De mim, nada. A minha cabeça dói como chuva. Como nuvem. Como prazo que não termina. Como beijo de despedida. Dói como objeto. Como faca. Como desculpa. A minha cabeça dói como orgulho. Como sexo de graça. Como amor de graça. Como esmola. Dói como incomodo constante, como pedra no calcanhar, no rim; como pensamento que não cessa. Dói como o sorriso dela de dor. Como a cautela. Como disciplina. Dói como o medo de doer. De tentar. De salvar alguém. Dói como permanência. Como paciência. Minha dor é simbólica, violenta. A minha cabeça dói.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
eu me lembro daquele mês de julho
eu me lembro daquele mês de julho. um julho sem fim. você deveria ter jogado as coisas fora (as camisas, as meias gastas), assim como eu fiz. deveria ter traçado no mapa os caminhos e todas as rotas possíveis - você deveria ter ido embora enquanto podia. você deveria ter dado mais chance, mais tempo ao que durou apenas um segundo (o coro, o beijo). do armário, ainda aquela poeira fina que você trouxe nas solas do tênis - é, eu me lembro como você adorava fazer caminhadas em manhãs frias, manhãs como esta, aliás. eu queria confessar mais vezes a sua ausência, mas por várias outras me convenci que você sempre esteve comigo - a falta é apenas uma impressão errada; e a saudade, um desvio natural de tempo. eu sei, eu mesma a inventei. eu lhe coloquei cílios. eu lhe coloquei pequenas imperfeições na pele e pequenos pedaços de mim no pensamento (meus segredos, meus medos mais bobos). eu lhe costurei sombra nos pés. unhas nos pés. pés. será que você não percebe? eu me abraço com seus braços em mim. meus braços são seus, mais até que meus abraços ou minhas roupas. eu REALMENTE me lembro daquele mês de julho, você não?
terça-feira, 14 de outubro de 2008
minhas teorias são fundamentos | 2
A CARTA DE DESPEDIDA.
fique bem.
eu te amo.
c,
fique bem.
eu te amo.
n.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
minhas teorias são fundamentos.
ela deixou o quarto daquele jeito incomum que tinha de deixar quartos. o copo de leite tomado pela metade como um objeto esquecido, um pensamento. eu sei que nada tornaria o instante mais fácil, mas eu ainda insisti. perguntei-lhe se ela não gostaria de ficar um pouco mais para conversarmos ou jogarmos conversa fora. eu não conseguiria entregar os restos dela que estavam em mim porque eu tinha ciúmes. eu tinha um ciúmes louco daquilo que seus olhos viam diante de mim. eu queria saber a imagem que ela tinha de mim agora, depois de tudo que aconteceu. a separação não pode deixar alguém mais forte, eu pensava. e eu ouvi sua resposta curta do outro lado, como se alguma coisa me prendesse na cama, me puxasse e me impedisse de levantar, pegá-la no colo ou nos braços. ela disse que não ficaria: eu não disse nada depois disso. disse que nós não tinhamos mais nada para resolver. eu achei mesmo que tudo já estava resolvido - e estava certo, uma pena. eu queria ter deixado em cima da mesa aquele bilhete que lhe escrevi, dias atrás. sei que ela teria parado para ler ou ao menos para tentar entender o que houve. eu queria ter-lhe entregue a carta de despedida, mas acho que ainda relutava acreditar que passaríamos por isso. eu achava que nunca passaria por isso outra vez. eu achava que essas dores só aconteceriam com os outros - e estava errado também.
domingo, 12 de outubro de 2008
eu nunca escrevi tão rápido
não entende?
você precisa ir embora agora.
eu já fui embora.
e você precisa ir embora também.
você precisa ir embora agora.
eu já fui embora.
e você precisa ir embora também.
sábado, 11 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça, insana
de mim, nada relativo. nenhum cumprimento ou desinteresse. depois do ódio, vem o amor - daquelas bem fusô mesmo. e vem um requerimento de função pequena e relativa: de hoje à tarde só vou ter sono. dos dias que passaram, de todas as outras terças, um beijo e um abraço. eu me despeço para sempre; mas peço, ainda, que não retome nenhum estado de choro ou festa. o presente era um ensaio: a recusa a grande festa. aplausos, por favor. das cortinas, repressão. do circo, o circo. de nós, nós mesmos - como bobos de botas e chapéus. de tudo, o delírio, a febre alta, olho inchado. falta de fome e a fome de nós e do corpo ausente. de nós, presentes na saudade e na nobreza do lugar eterno, solitário. de nós, outra vez. e outra. e outra. e outra outra vez. pois bem.
_
dos mágicos:
a platéia sabe a verdade, mas está lá porque gosta de ser enganada.
_
dos mágicos:
a platéia sabe a verdade, mas está lá porque gosta de ser enganada.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
de alguém
da tradução:
eu sei que você está machucada e preocupada. eu consigo sentir isso em você. mas você precisa parar com isso agora. eu quero isso terminado. eu realmente quero. eu estou cansada, meu amor. eu estou cansada de estar nessa estrada, sozinha como papagaio na chuva. eu estou cansada de não ter um amigo para estar junto, para me contar aonde estamos indo, de onde viemos ou por quê. mais ainda, eu estou cansada de pessoas sendo feias umas com as outras. eu estou cansada de toda a dor que eu sinto e ouço todos os dias no mundo. existe muito disso mesmo. são como pedaços de vidro nos meus ouvidos, o tempo todo.
será que você não entende?
eu sei que você está machucada e preocupada. eu consigo sentir isso em você. mas você precisa parar com isso agora. eu quero isso terminado. eu realmente quero. eu estou cansada, meu amor. eu estou cansada de estar nessa estrada, sozinha como papagaio na chuva. eu estou cansada de não ter um amigo para estar junto, para me contar aonde estamos indo, de onde viemos ou por quê. mais ainda, eu estou cansada de pessoas sendo feias umas com as outras. eu estou cansada de toda a dor que eu sinto e ouço todos os dias no mundo. existe muito disso mesmo. são como pedaços de vidro nos meus ouvidos, o tempo todo.
será que você não entende?
lúdico
diz tanto que me ama que banaliza qualquer sentimento de amor que possa ter. HOJE EU NÃO TENHO NADA INTEIRO. só fragmentos dela. ela me deixou em um abrigo e eu me sinto magra, fumante. ela passou uma lágrima por baixo do olho e não se despediu - eu morri cem vezes depois disso. eu queria nunca tê-la conhecido. eu queria ter desconhecido completamente. eu não queria ter descoberto nada. eu não queria ter conhecido na ocasião errada. o tempo são ocasiões. eu queria ter deixado tudo irrustido, quieto.
foi como se eu tivesse tido uma ausência ;
um vazio de tempo. eu não me lembro de nada.
depois de mim, EU jamais serei a mesma.
foi como se eu tivesse tido uma ausência ;
um vazio de tempo. eu não me lembro de nada.
depois de mim, EU jamais serei a mesma.
recalque
a inocência do amor momentâneo merece perdão.
achava que os sonhos poderiam ser curados com televisão:
- estava errada.
achava que os sonhos poderiam ser curados com televisão:
- estava errada.
sobressalto
para que um recomeço? sei que minhas lágrimas de ouro lamentariam com certo retrocesso profano. e não se confunda:
essas ondas também submergirão você. e eu, logo em seguida.
-tão imersa em pensamento: ainda que tivesse chorado, não teria percebido. quase coloquei na mala as ondas de rádio - a voz.
estava certa disso.
sinto que vale a pena ser radical nesse aspecto.
livre-se de mim, eu já estou livre.
essas ondas também submergirão você. e eu, logo em seguida.
-tão imersa em pensamento: ainda que tivesse chorado, não teria percebido. quase coloquei na mala as ondas de rádio - a voz.
estava certa disso.
sinto que vale a pena ser radical nesse aspecto.
livre-se de mim, eu já estou livre.
no fundo
agora você tem alguma coisa para mim?
alguma fala?
é, pode ser.
eu tenho um artigo.
ah.
um artigo de jornal.
um recorte?
um recorte.
uma notícia?
sim, uma tragédia.
então foi uma tragédia?
eu fui.
e eu?
você ficou.
alguma fala?
é, pode ser.
eu tenho um artigo.
ah.
um artigo de jornal.
um recorte?
um recorte.
uma notícia?
sim, uma tragédia.
então foi uma tragédia?
eu fui.
e eu?
você ficou.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
qualidade do que tem dois valores
run, remédios e cigarros.
doses, cápsulas e pequenas tragadas.
- nenhum tempo.
ingeria, mas não digeria nunca.
fome. vômito.
- nenhum tempo.
medo.
medo.
- quanto tempo?
- nenhum tempo.
equivalência: ambivalência.
doses, cápsulas e pequenas tragadas.
- nenhum tempo.
ingeria, mas não digeria nunca.
fome. vômito.
- nenhum tempo.
medo.
medo.
- quanto tempo?
- nenhum tempo.
equivalência: ambivalência.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
você não pode parar o que começou
a mesma moça a entregar lençóis, ou toalhas. estava louco, sabia disso – admitir a doença é o primeiro passo para a cura. desejava livrar-me em quantidade tão demasiadamente grande que até eu custava a acreditar. não sei por quanto tempo estive ali – ainda me lembro dela ter dito: eu passei, você não tinha estado. MENTIRA. eu sei ter estado aqui há muito tempo. meu rosto ainda é o mesmo rosto de quando olhei, cerca de dez minutos atrás. do tempo que decorreu, meu instinto não promoveu nada. de dúvidas, apenas a falta de vestígios ao meu redor. eu tinha trezentos, mas não tinha nada inteiro. a tentação me seduzia como um abismo. lembro que falava de um rio de amor perdido e dedicação, todavia, o silêncio rebatia: a solidão do corpo é somente um convite que segue para um mar de ondas densas e viscosas. ondas de óleo. reconheço que teria tirado a vida por bem menos, mas cedi a minha decadência. acho que me distraí, cochilei por outro segundo. a mesma moça a entregar lençóis, ou toalhas. quanto aos passos, nenhuma pegada tão próxima a mim – tampouco castelos de areia ou bonecos de neve. eu, particularmente, nunca havia visto neve: fiz bonecos que mais pareciam cachorros – e os postei longe. eu queria algo magnífico, mas que tivesse a simplicidade da imaginação de uma criança. a narrativa é um processo longo, e a gente rouba o sonho e deixa roubar. eu sonhava, mas e então? os sonhos não embelezam mesmo. ela desapareceu no sol – eu sei, eu pude ver. o sol que queimava o colchão de uma cama vazia. talvez fosse cedo para as coisas que não se faz com freqüência. ela via meus olhos como dois glóbulos, esbugalhados e cinzas. nada de novo. já passava do meio dia quando me dei conta do ocorrido: hoje estaríamos a celebrar sete dias – não tenho espaço para julgar seus extremos como gostaria. aquele era um lugar próprio: quanto é a despesa aqui? ela se achava esperta, eu ficava quieto. e quem disse que não estamos suspensos no ar? a referência que eu tinha distorceu-se. a camareira, os ombros, os cães lembrarão da minha idéia. a mesma moça a entregar lençóis, ou toalhas.
* a momentary lapse of reason, pink floyd.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
de você, meu amor
SEXTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2008
-falarei por sexta.
esperá-la chegar era um prazer. agora é uma agonia.
e mais uma agonia? INSÂNIA, não sei ao certo o termo.
uma insensatez ridícula. imprópria, vazia.
outra maldita espera que se prolonga mais que o necessário.
o que seria inventado o suficiente para continuar?
eu me sinto impossibilitada de tirar outro sonho.
(eles vão me odiar para sempre. meus sonhos vão me odiar para sempre.)
e que sempre mais breve para se odiar, não?
parece pouco para quem vê. assimila-se a nada.
quem vê de fora não vê nada do que eu vejo.
INSÂNIA.
eu me sinto tonta. a vacilar-se. tornar-se louco, resumir-se a pouco menos que cem gramas - eu sei, eu mesma contei. divorciar-se.
e então casar-se com um futuro arranjado. vão achar que eu sou idiota. ou nem vão achar que eu existo.
é possível falsear o cenário?
é possível falsear o cenário.
eu queria tirar a cabeça e os ombros. existir dali para baixo. gastar o chão de tanto andar em cículos e então expulsar-se da própria órbita, densa e poética como os feixes de luz dos lábios dela.
redimir-se por um propósito?
que propósito?
que mérito?
que honra?
É UMA AGONIA.
-falarei por sexta.
esperá-la chegar era um prazer. agora é uma agonia.
e mais uma agonia? INSÂNIA, não sei ao certo o termo.
uma insensatez ridícula. imprópria, vazia.
outra maldita espera que se prolonga mais que o necessário.
o que seria inventado o suficiente para continuar?
eu me sinto impossibilitada de tirar outro sonho.
(eles vão me odiar para sempre. meus sonhos vão me odiar para sempre.)
e que sempre mais breve para se odiar, não?
parece pouco para quem vê. assimila-se a nada.
quem vê de fora não vê nada do que eu vejo.
INSÂNIA.
eu me sinto tonta. a vacilar-se. tornar-se louco, resumir-se a pouco menos que cem gramas - eu sei, eu mesma contei. divorciar-se.
e então casar-se com um futuro arranjado. vão achar que eu sou idiota. ou nem vão achar que eu existo.
é possível falsear o cenário?
é possível falsear o cenário.
eu queria tirar a cabeça e os ombros. existir dali para baixo. gastar o chão de tanto andar em cículos e então expulsar-se da própria órbita, densa e poética como os feixes de luz dos lábios dela.
redimir-se por um propósito?
que propósito?
que mérito?
que honra?
É UMA AGONIA.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
ah, seus cabarés
ah, seus cabarés.
ela fazia como um passeio de botão em botão, com pausas para goles de café e intervalos de tempo. pois que tempo suficiente para que rediressionasse o olhar para o pálido do corpo que se mostrava breve e contínuo, cada vez mais. amanhã não vai existir, eu pensava. amanhã vai deixar de existir para sempre. assim prosseguiu o legado. a troca de olhares de olhos que se multiplicavam: havia uma multidão a olhá-la. imaginava ser uma invasão. diabos, nem mesmo o mais íntimo e depravado ato do amor tinha privacidade. da janela, a luz. da luz, os escombros. e os tombos nos joelhos finos. ela se equilibrava meio vareta, meio mulher. meio criatura mística e uma outra metade, a menor metade de todas, meio exaltada. enamorada.
ah, seus cabarés.
ela quase nunca entrava e ela quase nunca deixava de estar. nunhum movimento lhe fazia jus; naquele instante de sexualidade simples, a culpa era ainda mais íntima do que poderia supor. a culpa era uma deslexia. uma contemplação em falso. um testemunho revogado pela pouca idade que tinha. ocorreu-lhe uma lembrança, uma sensação como uma inflamação constante e débil que emergia pela pele. NÃO FARIA PLANOS, NÃO SE PERMITIRA TANTO. não se permitira nada, aliás, após um decoro. ela abateria os brios, eu pensava, caso descobrisse quem eu era ou o que fazia ali. a nudez era uma colocação social na realidade. não faria sexo (entenda aqui com clareza), se não tivesse necessidade de se posicionar socialmente. era exatamente o que pensava. e os pensamentos dela apressavam-se e, logo que ela descuidasse, tentavam tomar a forma de seus braços. e pernas. e queixo. e quinas. e emergia de sua pele, como outrora, entupindo os poros, a racionalidade.
só precisaria de dois minutos, e tudo aquilo estaria acabado.
ah, seus cabarés.
ela fazia como um passeio de botão em botão, com pausas para goles de café e intervalos de tempo. pois que tempo suficiente para que rediressionasse o olhar para o pálido do corpo que se mostrava breve e contínuo, cada vez mais. amanhã não vai existir, eu pensava. amanhã vai deixar de existir para sempre. assim prosseguiu o legado. a troca de olhares de olhos que se multiplicavam: havia uma multidão a olhá-la. imaginava ser uma invasão. diabos, nem mesmo o mais íntimo e depravado ato do amor tinha privacidade. da janela, a luz. da luz, os escombros. e os tombos nos joelhos finos. ela se equilibrava meio vareta, meio mulher. meio criatura mística e uma outra metade, a menor metade de todas, meio exaltada. enamorada.
ah, seus cabarés.
ela quase nunca entrava e ela quase nunca deixava de estar. nunhum movimento lhe fazia jus; naquele instante de sexualidade simples, a culpa era ainda mais íntima do que poderia supor. a culpa era uma deslexia. uma contemplação em falso. um testemunho revogado pela pouca idade que tinha. ocorreu-lhe uma lembrança, uma sensação como uma inflamação constante e débil que emergia pela pele. NÃO FARIA PLANOS, NÃO SE PERMITIRA TANTO. não se permitira nada, aliás, após um decoro. ela abateria os brios, eu pensava, caso descobrisse quem eu era ou o que fazia ali. a nudez era uma colocação social na realidade. não faria sexo (entenda aqui com clareza), se não tivesse necessidade de se posicionar socialmente. era exatamente o que pensava. e os pensamentos dela apressavam-se e, logo que ela descuidasse, tentavam tomar a forma de seus braços. e pernas. e queixo. e quinas. e emergia de sua pele, como outrora, entupindo os poros, a racionalidade.
só precisaria de dois minutos, e tudo aquilo estaria acabado.
ah, seus cabarés.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
C
ela puxava minhas palpebras como pequenas cortinas, de modo a não me deixar pregar os olhos jamais. ela me gostava viva, pulsante. ela me puxava em seguida com força prestante e indecorosidade de serviço inacabado. aquela urgência de corpo com corpo. dente com dente. e a imagem que me vem à cabeça? ela, a me amar com os dentes. ela fazia um movimento circular com o pulso, como se insistisse em um instante e hesitasse no outro.
mordia minha mão inteira e então sorria, com aqueles olhos pequenos e fundos. olhos de um desejo subalterno e silencioso. seu olhar era o olhar mais adjetivado que conhecia. tudo estava contido nos olhos dela, como um céu, nos dias de tempestade. parte de mim transbordava em certas linhas de tempos em tempos e nada me interessaria, a não ser a eterna preocupação em relação a seu comportamento de dependência.
não mais breve do que previ, deixei-a. sentada, cansada. e deixei que repetisse os mesmos verbetes que lhe disse quando devastei meu gostar declarado por ela. achei que poderia comentar sobre sensações menos propícias do que esta, mas esta é a única sensação de que me lembro. tentava evitar fazer uma comparação literária, entretanto, não tinha outra possibilidade para defini-la. ela também tinha olhos de ressaca, machado. agora sim entendo o que eram e o que fizeram comigo. era mesmo uma ameaça. ela me puxaria, me tragaria, me arrastaria para dentro dela, INEVITAVELMENTE.
mordia minha mão inteira e então sorria, com aqueles olhos pequenos e fundos. olhos de um desejo subalterno e silencioso. seu olhar era o olhar mais adjetivado que conhecia. tudo estava contido nos olhos dela, como um céu, nos dias de tempestade. parte de mim transbordava em certas linhas de tempos em tempos e nada me interessaria, a não ser a eterna preocupação em relação a seu comportamento de dependência.
não mais breve do que previ, deixei-a. sentada, cansada. e deixei que repetisse os mesmos verbetes que lhe disse quando devastei meu gostar declarado por ela. achei que poderia comentar sobre sensações menos propícias do que esta, mas esta é a única sensação de que me lembro. tentava evitar fazer uma comparação literária, entretanto, não tinha outra possibilidade para defini-la. ela também tinha olhos de ressaca, machado. agora sim entendo o que eram e o que fizeram comigo. era mesmo uma ameaça. ela me puxaria, me tragaria, me arrastaria para dentro dela, INEVITAVELMENTE.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
escassez
viver tudo de novo.
silêncio, gostar calado.
cegueira.
arrogância.
eu não vou conseguir. eu não vou conseguir. eu não vou conseguir. abrir mão outra vez? eu não vou conseguir. eu já passei do limite. do extremo. do possível. do humano. do carnal. QUANDO É QUE VOCÊ VAI ESTAR COMIGO? eu não quero ajuda ou salvação. terapia. choque. pena. briga. bronca. descaso.
(caso ou não caso?)
eu já morri afogada nessa agonia constante, nesse estado de guerra perene dentro de mim. e essa batalha não é lá fora: esse lixo é meu.
ela é oitenta, vocês são oito. e eu sou puxada com força de um lado para o outro.
esticando, deformando.
esticando, deformando.
esticando, deformando.
esticando, esticando, ESTICANDO.
e deformando outra vez.
-DEFORMAR v. tr, do lat. deformare: alterar forma de; desfigurar; tornar desforme.
meu espelho não reflete nada. não vejo. não me exergo um palmo diante do nariz: eu não me encaixo em nada. não pertenço a lugar nenhum porque tudo me encomoda e me inquieta. minha avaliação não me permite nada. AH, MALDITA FELICIDADE COMPRADA, DESONESTA.
-DESONESTO fem. sing de desonesto. adj,: impudico; devasso, indigno.
felicidade bilateral, daí sua impertinência. sua incompetência. sua carência de tudo - dificil dizer-se plena em que consiga estabelecer-se de fato. esse lixo não é meu.
silêncio, gostar calado.
cegueira.
arrogância.
eu não vou conseguir. eu não vou conseguir. eu não vou conseguir. abrir mão outra vez? eu não vou conseguir. eu já passei do limite. do extremo. do possível. do humano. do carnal. QUANDO É QUE VOCÊ VAI ESTAR COMIGO? eu não quero ajuda ou salvação. terapia. choque. pena. briga. bronca. descaso.
(caso ou não caso?)
eu já morri afogada nessa agonia constante, nesse estado de guerra perene dentro de mim. e essa batalha não é lá fora: esse lixo é meu.
ela é oitenta, vocês são oito. e eu sou puxada com força de um lado para o outro.
esticando, deformando.
esticando, deformando.
esticando, deformando.
esticando, esticando, ESTICANDO.
e deformando outra vez.
-DEFORMAR v. tr, do lat. deformare: alterar forma de; desfigurar; tornar desforme.
meu espelho não reflete nada. não vejo. não me exergo um palmo diante do nariz: eu não me encaixo em nada. não pertenço a lugar nenhum porque tudo me encomoda e me inquieta. minha avaliação não me permite nada. AH, MALDITA FELICIDADE COMPRADA, DESONESTA.
-DESONESTO fem. sing de desonesto. adj,: impudico; devasso, indigno.
felicidade bilateral, daí sua impertinência. sua incompetência. sua carência de tudo - dificil dizer-se plena em que consiga estabelecer-se de fato. esse lixo não é meu.
escassez em relação a necessidades crescentes.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
nervos e torradas com geléia
minha paixão por tornados.
será necessário decretar o óbvio?
eu acho que vou fechar.
-essa mania de poetizar tudo.
não me venha com grosseria, caso contrario, sairei.
não me venha com grosseria, caso contrario, sairei de novo.
e sairei outra vez.
sairei quantas vezes forem necessárias.
como diz:
a porta da rua é serventia da casa.
passei um copo d'água.
e um outro de nada.
será necessário decretar o óbvio?
eu acho que vou fechar.
-essa mania de poetizar tudo.
não me venha com grosseria, caso contrario, sairei.
não me venha com grosseria, caso contrario, sairei de novo.
e sairei outra vez.
sairei quantas vezes forem necessárias.
como diz:
a porta da rua é serventia da casa.
passei um copo d'água.
e um outro de nada.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
diagnóstico de cor, e de corpo
acho que morri, não sei. pedi óbito de mim.
e não. não está nada claro: o diferente acanha.
eu poderia arranhar todo o rosto e me mostrar para o mundo que você diz rosa. engraçado, sequer rosas são rosas. a conclusão que se chega é a seguinte: mentira. quem vende aceita vender mais? parece lógico que todo mundo vai preferir um computador a uma máquina de escrever? o diferente acanha. eu poderia agora arrancar meu rosto e me jogar no mundo só corpo. eu não consigo me concentrar. nem digerir. nem ingerir nada. não almoço há dias. tudo me embrulha o estômago. e me enjôa. e enjôa. e me vomita. eu mesma me vomito e me regogito nas próprias mãos, escorrendo pelos dedos, nojento e sujo, feito areia, nojento e sujo.
você desiste de um pelo outro? eu faria uso indiscrimidado do sexo, recreativo. mas os beijos sei que vão me pinicar. sei que a lingua terá espinhos e os dentes, crateras. que os lábios formarão pequenas giletes. as vertebras serão espadas. e as espadas, as armas, pétalas.
diz-se.
precisaria se ajustar.
(mas é totalmente desajustada)
diz.
meu juízo é uma aparência, entenda.
e não. não está nada claro: o diferente acanha.
eu poderia arranhar todo o rosto e me mostrar para o mundo que você diz rosa. engraçado, sequer rosas são rosas. a conclusão que se chega é a seguinte: mentira. quem vende aceita vender mais? parece lógico que todo mundo vai preferir um computador a uma máquina de escrever? o diferente acanha. eu poderia agora arrancar meu rosto e me jogar no mundo só corpo. eu não consigo me concentrar. nem digerir. nem ingerir nada. não almoço há dias. tudo me embrulha o estômago. e me enjôa. e enjôa. e me vomita. eu mesma me vomito e me regogito nas próprias mãos, escorrendo pelos dedos, nojento e sujo, feito areia, nojento e sujo.
você desiste de um pelo outro? eu faria uso indiscrimidado do sexo, recreativo. mas os beijos sei que vão me pinicar. sei que a lingua terá espinhos e os dentes, crateras. que os lábios formarão pequenas giletes. as vertebras serão espadas. e as espadas, as armas, pétalas.
diz-se.
precisaria se ajustar.
(mas é totalmente desajustada)
diz.
meu juízo é uma aparência, entenda.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
não me vejo
eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar entender as explicações que lhe ofereço em troca do que se perdeu. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar resolver os cálculos que lhe propus em troca do que se gostou. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar subornar uma amiga que lhe ofereço em troca do que se comportou mal. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar aplaudir a idéia que lhe ofereço em troca do que se rompeu. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar abraçar os braços que lhe recusei em troca do que conquistei. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar estorquir a loucura que lhe oferço em troca do que lhe neguei. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar não lidar com a bebida que lhe ofereço em troca do veneno que lhe doei. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar impedir o não-beijo que lhe ofereço em troca do beijo que lhe dei. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar segurar o segundo que lhe ofereço em troca dos meses que lhe arranquei. eu o vejo. ele de costas para mim, a tentar justificar a frase que lhe ofereço em troca do silêncio que se propagou. eu o vejo. ele de costas para mim. não me vejo; não o invejo.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
alternância
não escrevo há 4 dias, seis horas e 3/4 de minutos. tenho tido um silêncio constante em relação ao que digo - ou pelo menos ao que tento dizer. em gestos, um coro me manda calar a boca; e que boca? saudades. respiro com pressa do instante seguinte, como se precisasse do instante seguinte mais do que qualquer outro que pudesse decorrer após este. reclamo.
estava achando pequeno e barato, mas na realidade era só um contrato breve de trabalho. eu achei que poderia tê-la consebido sob um novo ponto de pespectiva, mas, não. outra vez, não. estão enrolando por algum motivo. eu, há pouco, comentei que o estado das coisas deveria ser reavaliado. e de fato foi, entenda novamente. todas as 3 coisas que criei fazem parte de um novo círculo. ou de um pequeno cubículo de mentes. inflamo.
recebi uma carta de prestação de contas, como um banco de débitos apenas. descontaram 15 e agora mais 7. estranho, sou só uma. pensei ter guardado as notas no bolso, e os bolsos na calça. as calças no armário e o armário no quartinho dos fundos: lugar que não mexo nunca. mas, pelo jeito não. outra vez, não. reclamo.
então nota-se um padrão. uma construção que tenta fechar um novo estilo. e que tenta se estabelecer ou ao menos embelezar. eu achei que era uma pessoa importante, premiada. sabe, dessas que passam na rua, e os outros 6 sentados no bar reconhecem e chamam pelo nome - ou pelo sobrenome. uma besteira. eu queria ser reconhecida por bêbados de grandes teorias socias. inflamo.
repito uma idéia como uma martelada constante. ou como água que ferve. ferve. ferve. e continua a ferver até atingir o máximo. e então some. some. some. evapora, até deixar de existir. breve, reclamo.
e volto a inflamar.
estava achando pequeno e barato, mas na realidade era só um contrato breve de trabalho. eu achei que poderia tê-la consebido sob um novo ponto de pespectiva, mas, não. outra vez, não. estão enrolando por algum motivo. eu, há pouco, comentei que o estado das coisas deveria ser reavaliado. e de fato foi, entenda novamente. todas as 3 coisas que criei fazem parte de um novo círculo. ou de um pequeno cubículo de mentes. inflamo.
recebi uma carta de prestação de contas, como um banco de débitos apenas. descontaram 15 e agora mais 7. estranho, sou só uma. pensei ter guardado as notas no bolso, e os bolsos na calça. as calças no armário e o armário no quartinho dos fundos: lugar que não mexo nunca. mas, pelo jeito não. outra vez, não. reclamo.
então nota-se um padrão. uma construção que tenta fechar um novo estilo. e que tenta se estabelecer ou ao menos embelezar. eu achei que era uma pessoa importante, premiada. sabe, dessas que passam na rua, e os outros 6 sentados no bar reconhecem e chamam pelo nome - ou pelo sobrenome. uma besteira. eu queria ser reconhecida por bêbados de grandes teorias socias. inflamo.
repito uma idéia como uma martelada constante. ou como água que ferve. ferve. ferve. e continua a ferver até atingir o máximo. e então some. some. some. evapora, até deixar de existir. breve, reclamo.
e volto a inflamar.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
a casa na árvore
aquele era um ambiente impróprio. será que você ainda se lembra dos pequenos papéis brancos que eu deixei em cima da mesa? aqueles papéis da separação que eu mesma escrevi e fiz questão de entregá-los a você naquela quinta-feira, como se não pudesse deixar passar sequer mais um dia? e não poderia mesmo. as estruturas, as sentenças: foi isso que eu achei estranho. a maioria havia sido inserida: não pertencia, dessa forma, gostar aquilo que contruímos juntos. mas entenda, você, que essa noite não vem de encontro ao único pedido de desculpas que me propôs. eu aprendi que isso me fez bem e que isso, sobre você, não se entendeu nada. nem subentendeu, foi você quem entendeu tudo errado. você guardou o que deveria ter perdido; e o perdido? agora já está guardado, assim como os vasos. os talhos. os talheres. as telas. as tintas e as tentativas seguidas de choro. tudo em caixas de raia pequena, como também a mostra de uma pequena organização de despedida. nossa segregação foi escrita à mão, em um guardanapo.
agora você sente o impacto?
nossa cidade mudou muito.
você pode até criar um costume, mas não é perfil.
agora você sente o impacto?
nossa cidade mudou muito.
você pode até criar um costume, mas não é perfil.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
sua morte, sua vingança
pois que tentou, mas foi em vão. qualquer tentativa, que não a de tirar-lhe os talheres da mão, lhe pareceu em vão. subiu as escadas depressa, com uma urgência efêmera de médico. suava pela vertebras: a futura mulher de sua vida, ali esticada, quase que sem vida. fuçou nos remédios e nada. nenhum curativo digno. apenas aquelas centenas de potes de anti-depressivos que ela tomava pouco antes de ir dormir, seguidos de um copo de leite gelado. como ela pôde esconder tanto assim? como pôde dissimular tanto? como mudar tanto os móveis de lugar, fingindo um incômodo que não existia? poderia, ao invés de prestar-lhe socorro, engolir um copo de seu corpo; de seus fluídos, já retos e sem risos. bateu com força a porta do gabinete: tudo aquilo era uma mentira, uma fantasia. ela se contorcia sobre o tapete, como se reagisse a uma decência que não tinha. esperava ansiosa pelo momento do bote, como se fosse um animal a resguardar-se. puxaria tudo para perto de si: o ambiente haveria de lhe pertencer no instante do ataque. perguntou-lhe:
- o que você está fazendo?
- estou morrendo.
- o que você está fazendo?
- estou morrendo.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
tudo
o primeiro passo seria estabelecer metas, mas, ah, planos do futuro financeiro são muito chatos. dessa forma, juntei os trocados sobre a mesinha da sala e elevei meu orçamento. nenhuma planilha, assumo. porém, junto aos dois copos de vinho que também estavam ali, socorri um último pensamento e o puxei para perto de mim, fingindo abrigá-lo de toda intenção que poderia vir a distorcê-lo. não tinha mais tempo, nem nada. nenhum consolo em relação a uma intenção decorrente de tristezas anteriores. tudo já havia passado por nós e por quem havíamos sido um dia.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Mr. Cook
O café custava 50 cents, meu bem. Coisa chic, de primeira. Minha descendência européia barata adora estas cafeterias que se parecem com bares antigos. Entenda, contudo, que antigo não se refere aqui a algo requintado. Refere-se ao tradicional; e o tradicional, a algo completamente não entusiástico - ou não para a maioria pelo menos. Considero maioria qualquer outro comigo. Tentei sair dali, mas não tive coragem sufuciente. Os outros poucos jovens que também frequentavam o Mr. Cook eram ainda mais urbanos do que eu. Sei que parece bobagem, mas eles paravam para comer a esfiha de carne fechada e tomar coca-cola light com gelo e limão. Muito catichupi, ou katchup para os mais integrados com o idioma do mundo, e um pouco mais de quinze anos dentro das mochilas de lona nos ombros. Talvez esteja ficando velha sem perceber. Ou alguns, poucos como eu, já nasceram com oitenta e três anos nas costas. E com esses constumes de quem já viveu tudo. Eu não assisti à Copa de 70, nem as anteriores. Eu só pedi um café e acendi um cigarro: black de menta.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
apenas constata que some
é como fumaça, que some.
e some.
e some.
some.
(eu sumo. impossivel não sumir.)
e some.
e some.
some.
(eu sumo. impossivel não sumir.)
terça-feira, 19 de agosto de 2008
você é quem deveria ter vergonha
eu tenho vontade de matá-la. tirar-lhe o couro. acabar com a raça. e então embrulhar tudo, como um presente ingrato que se aprensenta sozinho. você me colocou contra a parede, existindo e exigindo de mim a verdade que estava a me desnortear. adivinha? você me espremeu tanto, TANTO, que conseguiu o que queria. e agora? ah, agora você quer renunciar. você sequer sustenta sua própria expectativa contra-decepção. você tende a estar sempre certa, errada? não. você tende a julgar cedo. a contemplar pouco. a falar demais e sem parar. você tende a recitar intermináveis monólogos de boa conduta e de respeito enquanto separa as esfihas no armário: filho de pedreiro não come esfiha de queijo coalho. contraditório e que merda, não é mesmo?
você é quem deveria ter vergonha.
você é quem deveria ter vergonha.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quarta ela me deu um buquê
quarta ela me deu um buquê.
-tadinho do buquê, todo esmagando dentro da minha mala.
-tadinho do buquê, todo esmagando dentro da minha mala.
meu primeiro dia
então pára breve e curto. puxa as mangas do agasalho imundo e tira a franja fina do rosto - há ainda quem a prefira sem. retoma o pensamento anterior, como se fizesse um gancho. ou uma pequena alça com o que passou faz pouco tempo. não tem, não mandou qualquer coisa. pensou em checar outra vez, mas desistiu. e não porque a considerava fora dos padrões, mas porque justamente seus padrões mais básicos não eram de fácil acesso ou entendimento. é uma idéia muito antiga, na verdade, os saldos do comportamento. pensou em alguns questionamentos outra vez. por vez, não sabe porque não lhe deram a oportunidade de saber: ah, vítimas da maldita oportunidade. não teve a chance de descobrir, pois que estava a se esconder o tempo inteiro. o sorteio foi feito antes. as amantes se formaram antes que pudesse, sequer, tomar forma. não pode tudo em uma mesma vida - precisaria de pelo menos uma meia dúzia. ou dez.
inicialmente, o que deve ser feito? pensa estar a andar em cículos. pensa estar a perseguir os próprios rastros que deixa. os próprios restos. as próprias sobras que deixa pelo caminho. na
outra, talvez, passará. com sorte também ultrapassará seu máximo, sua idéia de felicidade plena. ela queria dirigir cidades especiais.
e você?
ah, você quer os restos? você quer aquilo que ninguém quer pelo simples fato de se auto intitular resto? BOBAGEM. bobagem completa. bobagem completa de um status que não posso comportar. assim, não me comporto. nenhum dia mais será preciso. este primeiro me basta por hoje. então, perdoem o atraso de minhas idéias hoje. mas somente hoje.
inicialmente, o que deve ser feito? pensa estar a andar em cículos. pensa estar a perseguir os próprios rastros que deixa. os próprios restos. as próprias sobras que deixa pelo caminho. na
outra, talvez, passará. com sorte também ultrapassará seu máximo, sua idéia de felicidade plena. ela queria dirigir cidades especiais.
e você?
ah, você quer os restos? você quer aquilo que ninguém quer pelo simples fato de se auto intitular resto? BOBAGEM. bobagem completa. bobagem completa de um status que não posso comportar. assim, não me comporto. nenhum dia mais será preciso. este primeiro me basta por hoje. então, perdoem o atraso de minhas idéias hoje. mas somente hoje.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
desconhecida mulher
tomemos nota:
pois que me surpreende que isso ainda me ocorra, vez e outra. por que todas as vezes que insisti na diferença, obtive sucesso? é impossivel, percebo agora, que idéias iguais se sobreponham. diga seu método e o descreva com detalhes, - solicito. a obsessão é um jogo para jovens. assim, desconhecida mulher, eu já nasci dessa forma, com cento e dois anos nas costas. com oito dias por semana. treze horas por dia. poucos dias por mês e nenhum ano novo a me contemplar. eu achei que poderia pagar a conta, abraçar a causa, arcar com as conseqüências. mas, não. essa vida é só uma fantasia. um prévio ensaio de qualquer coisa. uma atrocidade, um mistério do "arco da velha". eu, sinceramente, acho que diz a verdade - todavia, não consigo confiar com plenitude ou sossego. ela prometeu sua fidelidade - não a mim, entenda, mas às promessas que fizemos enquanto sentadas sobre o tapete da sala. deveria esperar sua presença? estava a deduzir que ela estaria desaparecida, deconhecida.
pois que me surpreende que isso ainda me ocorra, vez e outra. por que todas as vezes que insisti na diferença, obtive sucesso? é impossivel, percebo agora, que idéias iguais se sobreponham. diga seu método e o descreva com detalhes, - solicito. a obsessão é um jogo para jovens. assim, desconhecida mulher, eu já nasci dessa forma, com cento e dois anos nas costas. com oito dias por semana. treze horas por dia. poucos dias por mês e nenhum ano novo a me contemplar. eu achei que poderia pagar a conta, abraçar a causa, arcar com as conseqüências. mas, não. essa vida é só uma fantasia. um prévio ensaio de qualquer coisa. uma atrocidade, um mistério do "arco da velha". eu, sinceramente, acho que diz a verdade - todavia, não consigo confiar com plenitude ou sossego. ela prometeu sua fidelidade - não a mim, entenda, mas às promessas que fizemos enquanto sentadas sobre o tapete da sala. deveria esperar sua presença? estava a deduzir que ela estaria desaparecida, deconhecida.
domingo, 10 de agosto de 2008
pela sensação de poder algo
é como se você tivesse que repassar o que é verdadeiro e o que não é. às vezes não dá mesmo para prever qualquer futuro - ainda que fizesse planos, seria impossível evitar furos, ou mesmo rompimentos breves. e NÃO, não são as situações: são as pessoas. pessoas que magoam pessoas - e, claro, essa insuportável mania de querer ser feliz o tempo todo.
eu queria ser um velho gordo, pronto para morrer. eu queria ser uma avó que não descasou nunca, ou então uma velha que casou sete vezes e ainda tem pique para ir ao supermercado para comprar vidros de pêssegos em calda. é, eu sempre odiei doces de compota. para falar a verdade, nem de chocolate eu gosto muito. eu gosto é de cerveja e cigarro. eu gosto da companhia dela, durante a semana. gosto da sua ausência aos domingos. e da sua incessante marcação aos sábados. eu gosto do cheiro do seu cabelo. do formato das suas mãos. da construção das suas palavras. não tem como, eu sou passional demais e o fato de estar com alguém exclui automaticamente qualquer outra pessoa. eu achei que minha paciência havia mudado, mas não. eu ainda vou me incomodar muito.
constato, assim, que a última hora é a que demora mais para passar, pois que carrega com ela toda aquela expectativa do final. e as pessoas gostam de se sentir próximas uma das outras - sabe, uma espécie de linha funcional que conduz as relações.
eu sempre sei que vou sentir muito quando falar com ela. eu sei que vou vazar litros de mim. é, deve ser isso. eu queria, por vez e outra, recomeçar, passo a passo. eu deito na minha cama e dali a cinco minutos ela já vem me perturbar. adivinha tudo como sempre tenta adivinhar. e eu tento ser uma mulher fina, mas não dá: sou tão criança quanto fui um dia. é, acho que deveria poder sair por aí falando verdade, todavia, devo conter-me apesar, ainda, da vontade que me toma e que insite para que eu o faça. não se trata apenas de não fazer. isso não ter nada a ver com não fazer. é, você simplesmente sabe quando estão falando de você. porque você para como um animal e resguarda-se. um animal forte, mas de cabeça grande e burra.
às vezes não consigo me sentir funcional - é, não vai dar certo. você acha que pode sentir quando estão se aproximando, mas a verdade é que não pode. então qualquer tentativa, que não a de tirá-la do pensamento, passa a lhe parecer estúpida e em vão. poderia combinar passeios, mas não. à meia noite devo estar em casa. eu durmo sempre acordada. outra vez, o animal. e se eu chegar e ela chegar primeiro? ou e se ela chegar e, não me vendo, for embora? ah, que rude da minha parte idealizar assim, tão pequeno e contido. precisava de uma imagem para se reerguer. e então outra para que possa se estabelecer definitivamente. não tem mais modos, nem sonhos próprios. apenas um cartaz de seu filme favorito, como símbolo de suas memórias. ou um símbolo final de comoção de idéias, de abstração e de sussurros amorosos - não turbilhantes, apenas amorosos. poderia dizer então que nenhum rancor que sentisse seria forte o suficiente: às vezes a gente se bate mais que o necessário. de repente, eu até consiga finalizar um projeto, mas o tempo insiste em me desejar inteira e em me exigir atenção completa. não há pudor nos divinos momentos. essa gente não precisa de qualquer ensino.
e não, você não entendeu.
eu não lhe desejaria tudo, mas apenas o pouco que posso desejar: saúde. espero que esse soluço passe. que o tropeço passe. que a recruta passe, mas que não passe a agonia. o desespero. a trepidação do corpo sobre a cadeira em frente à mesa. eis algo que lhe impulsiona para frente. e joga. e revoga. mas não abandona jamais. eis que lhe corta as pernas: mas a cela jamais. eis que lhe dá suficiência. autonimia. dicotomia. PODER.
e não pelo poder, mas pela sensação de poder algo.
eu queria ser um velho gordo, pronto para morrer. eu queria ser uma avó que não descasou nunca, ou então uma velha que casou sete vezes e ainda tem pique para ir ao supermercado para comprar vidros de pêssegos em calda. é, eu sempre odiei doces de compota. para falar a verdade, nem de chocolate eu gosto muito. eu gosto é de cerveja e cigarro. eu gosto da companhia dela, durante a semana. gosto da sua ausência aos domingos. e da sua incessante marcação aos sábados. eu gosto do cheiro do seu cabelo. do formato das suas mãos. da construção das suas palavras. não tem como, eu sou passional demais e o fato de estar com alguém exclui automaticamente qualquer outra pessoa. eu achei que minha paciência havia mudado, mas não. eu ainda vou me incomodar muito.
constato, assim, que a última hora é a que demora mais para passar, pois que carrega com ela toda aquela expectativa do final. e as pessoas gostam de se sentir próximas uma das outras - sabe, uma espécie de linha funcional que conduz as relações.
eu sempre sei que vou sentir muito quando falar com ela. eu sei que vou vazar litros de mim. é, deve ser isso. eu queria, por vez e outra, recomeçar, passo a passo. eu deito na minha cama e dali a cinco minutos ela já vem me perturbar. adivinha tudo como sempre tenta adivinhar. e eu tento ser uma mulher fina, mas não dá: sou tão criança quanto fui um dia. é, acho que deveria poder sair por aí falando verdade, todavia, devo conter-me apesar, ainda, da vontade que me toma e que insite para que eu o faça. não se trata apenas de não fazer. isso não ter nada a ver com não fazer. é, você simplesmente sabe quando estão falando de você. porque você para como um animal e resguarda-se. um animal forte, mas de cabeça grande e burra.
às vezes não consigo me sentir funcional - é, não vai dar certo. você acha que pode sentir quando estão se aproximando, mas a verdade é que não pode. então qualquer tentativa, que não a de tirá-la do pensamento, passa a lhe parecer estúpida e em vão. poderia combinar passeios, mas não. à meia noite devo estar em casa. eu durmo sempre acordada. outra vez, o animal. e se eu chegar e ela chegar primeiro? ou e se ela chegar e, não me vendo, for embora? ah, que rude da minha parte idealizar assim, tão pequeno e contido. precisava de uma imagem para se reerguer. e então outra para que possa se estabelecer definitivamente. não tem mais modos, nem sonhos próprios. apenas um cartaz de seu filme favorito, como símbolo de suas memórias. ou um símbolo final de comoção de idéias, de abstração e de sussurros amorosos - não turbilhantes, apenas amorosos. poderia dizer então que nenhum rancor que sentisse seria forte o suficiente: às vezes a gente se bate mais que o necessário. de repente, eu até consiga finalizar um projeto, mas o tempo insiste em me desejar inteira e em me exigir atenção completa. não há pudor nos divinos momentos. essa gente não precisa de qualquer ensino.
e não, você não entendeu.
eu não lhe desejaria tudo, mas apenas o pouco que posso desejar: saúde. espero que esse soluço passe. que o tropeço passe. que a recruta passe, mas que não passe a agonia. o desespero. a trepidação do corpo sobre a cadeira em frente à mesa. eis algo que lhe impulsiona para frente. e joga. e revoga. mas não abandona jamais. eis que lhe corta as pernas: mas a cela jamais. eis que lhe dá suficiência. autonimia. dicotomia. PODER.
e não pelo poder, mas pela sensação de poder algo.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
o arrepio
arrepiou-se.
tinha um bicho a vasculhar seu corpo. e este entrava pelas mãos e pelos rins. um corpo dentro do corpo ou uma nova contratação. poderia ter sido qualquer outro, mas não. rodeava as suas entranhas e dava um soco no coração, vez e outra.
falava enquanto soltava a fumaça:
eu te amo.
EU TE AMO.
(como se tentasse ainda tornar crível a mensagem)
subiu. subiu.
o ato de fumar lhe remtia algo poético.
decadente.
genial.
tinha um bicho a vasculhar seu corpo. e este entrava pelas mãos e pelos rins. um corpo dentro do corpo ou uma nova contratação. poderia ter sido qualquer outro, mas não. rodeava as suas entranhas e dava um soco no coração, vez e outra.
falava enquanto soltava a fumaça:
eu te amo.
EU TE AMO.
(como se tentasse ainda tornar crível a mensagem)
subiu. subiu.
o ato de fumar lhe remtia algo poético.
decadente.
genial.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
notas | 3
sua principal personagem não passava de uma imitação de sua vida.
e que merda de vida para se imitar, não?
e que merda de vida para se imitar, não?
eu, ciúme
não tinha ciúmes, porque já era FEITA de ciúmes. morreria caso a visse com outra nos braços, nas pernas ou no rosto. as brincadeiras eram apenas uma forma de se distrair, de se defender de terceiras; uma vez que qualquer fraqueza ainda lhe causa inflexibilidade. trava seu corpo e faz seus ossos baterem, uns contra os outros. poderia se contorcer inteira, estralar inteira que, ainda assim, não teria sequer uma única solução que pudesse justificar o quanto realmente a gostava. mas hoje, em particular, não sente aquela empolgação em suas palavras. não sabe, não sente. talvez seu máximo estivesse exposto, posto como um tijolo velho perante seus pés, exigindo qualquer prévia confusão. talvez já tivessem esticado tudo o que poderiam ser porque já haviam, mesmo, sido. algumas histórias não pussuem pontos finais, apenas pausas para café. e então continuação da leitura. e a releitura. releitura. e o mesmo rodeio de idéias e de sentimentos fracassados. sabe-se lá o por quê, mas também nunca chegou a esquecê-la como um todo. o desejo que tem seus objetos ausentes não termina nunca mesmo. novamente ninguém perdoa os delirios de um grande amor, ou de uma paixão desvairada. talvez estivesse a se afobar demais. ou talvez ainda não tenha tido tempo para o tempo que precisa: o tempo que ela havia lhe prometido recua para longe. aqueles meses, noites. aquela tarde e aqueles dois anos. aquela vida inteira pela frente. é, ela havia lhe prometido tudo aquilo.
não entende e também não quer depender dela. ela jamais dependeria. tem medo. resguarda-se. então guarda no bolso os planos que fizeram, como se fossem doces de festa que se leva para comer mais tarde. talvez seja cedo para as coisas que não se faz com freqüência. ou talvez seja apenas uma falta de inspiração momentânea. qualquer história não justificável.
bate no peito, exigindo respeito. postura de si. como poderia se deixar levar assim tão fácil? achou que as melhores coisas da vida não fossem simples de se descrever, contudo, estava enganada. era horrível. e era tão tremendamente horrível que lhe subia um gosto de azedo pela garganta toda hora que tentava dar inicio à prosa. não havia, de fato, qualquer prova contra seu corpo. pensou que poderia tratar da tragédia como um incidente, mas prefere não comentar. só volta a dar voltas nas mesmas palavras, como que animais já mortos e secos. seus lápis são como pequenos gravetos de grafite. suas folhas são como panos de chão. e seu chão, um chão sem teto. sem nada que proteja ou que acolha. apenas um tapete velho de memórias que são retalhos. apenas um punhado de tampas de cervejas jogado no canto, como poeira mal varrida.
queria sumir desse mundo agora, ah, a leve com você, ciúme. e então a tire daqui, a arranque dessa casa. dessa cama. desse beco sem saída. desse cárcere amoroso. dessas vidas que estancam seu corpo. não quer ser a decepção de ninguém, a não ser a dela mesma. que tosco.
não entende e também não quer depender dela. ela jamais dependeria. tem medo. resguarda-se. então guarda no bolso os planos que fizeram, como se fossem doces de festa que se leva para comer mais tarde. talvez seja cedo para as coisas que não se faz com freqüência. ou talvez seja apenas uma falta de inspiração momentânea. qualquer história não justificável.
bate no peito, exigindo respeito. postura de si. como poderia se deixar levar assim tão fácil? achou que as melhores coisas da vida não fossem simples de se descrever, contudo, estava enganada. era horrível. e era tão tremendamente horrível que lhe subia um gosto de azedo pela garganta toda hora que tentava dar inicio à prosa. não havia, de fato, qualquer prova contra seu corpo. pensou que poderia tratar da tragédia como um incidente, mas prefere não comentar. só volta a dar voltas nas mesmas palavras, como que animais já mortos e secos. seus lápis são como pequenos gravetos de grafite. suas folhas são como panos de chão. e seu chão, um chão sem teto. sem nada que proteja ou que acolha. apenas um tapete velho de memórias que são retalhos. apenas um punhado de tampas de cervejas jogado no canto, como poeira mal varrida.
queria sumir desse mundo agora, ah, a leve com você, ciúme. e então a tire daqui, a arranque dessa casa. dessa cama. desse beco sem saída. desse cárcere amoroso. dessas vidas que estancam seu corpo. não quer ser a decepção de ninguém, a não ser a dela mesma. que tosco.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
tranqueira
acho que deveria pensar em recuar seu nome, tirá-lo de cena mesmo. os prazos estão ficando apertados de novo e as interferências são construídas para se desmontar. aliás, o projeto anterior já chegou a ser considerado o melhor de todos, mas agora, contudo, apenas está a me tirar o sono. é, eu tenho a impressão que está mais leve. um desfalque nessa tranqueira.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
segunda, dia de reencontros
assim, coloque de lado os velhos livros que está a tentar ler nos últimos dias, e recomece tudo. TUDO. entregue qualquer documento. qualquer pouco que você consiga. hoje, menos de uma flor já basta: você nem me passa pela cabeça. não entendo essa mania de maria sempre casar com joão. é hoje o dia pelo qual tenho esperado tanto. segunda, dia de reencontros. estou a preparar a barriga para bebidas e, com sorte, nenhuma briga farta. eu, ela, e a vida inteira pela frente. os planos, enfim, de volta. estou na rua, mas assim que chegar ao local, eu compro. eu até fui ver preços e modelos; apesar de antes desejar um acordo prévio: não quero decidir sozinha. comece a trabalhar para ver os retornos. segunda, dia de reencontros. tanto que a dor de garganta tampa qualquer canto ou ruído. em nenhum momento cite professores. culpa nossa: ah, delícia de culpa nossa.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
enfim, um fim.
e é óbvio que queria mesmo ouvir tudo aquilo; afinal, por quem mais esperaria dezoito meses seguidos? por quem mais suportaria olhar para frente e ver a pessoa que gosta com outra pessoa? simples, por ninguém mais. por ninguém mais no mundo faria o que fez por ela - ficar em silêncio. ficar quieta como se visse nada e fosse, ainda, metade da pessoa que jurou que seria um dia. suas palavras jamais foram boas o suficiente, essa era a verdade. jamais! jamais haviam sido boas. e ela estava convencida disso; estava finalmente convencida que que a gostava, agora, sem ironias. sem rodeios. sem mentiras ou falsas previsões. não conseguia mais suportar sozinha, pois tudo pesava em suas costas. suas decisões pesavam. seus erros pesavam. seus dilemas pesavam. então, pela primeira vez em muito tempo, soube que ela seria seu próprio sol, mais até do que sua própria cura; e que com ela não seria preciso fingir ser outra pessoa, pois ela não tentaria não mentir, ela simplesmente não mentiria. não mais entalaria em sua garganta ou lhe causaria falta de ar. ou irritação. ou sono. ou ressonância. não mais dormiria; apenas passaria o resto de seus dias olhando para a mesma fotografia, na qual ela ainda sorria, franzindo o canto dos olhos. diabos, tem sido cega desde sempre! desculpe-a garota, pois foi você quem esteve o tempo aqui por perto. dê-lhe uma última chance de contar a mesma história de novo, de descrever as mesmas cenas, de matar as mesmas personagens. todas as coisas que deveria ter dito ainda estão aqui. estão intactas. estão presas a seu próprio medo. a sua cautela. a seu ego. a seu orgulho distorcido e - por sorte - ainda não jogado no lixo. e está preso a sua falta de jeito com tudo que está a sua volta, pois passara tanto tempo escrevendo que praticamente não tivera experiências. apenas percebe-se agora que está feliz - insuportavelmente feliz por não ter chegado ao fim da história que imaginou e, assim, não ser a contradição que sempre achou que seria. então aguente. aguente firme porque ela virá buscá-la, e irá colocá-la sentada no carro novo que ganhou - no carro em que vc entrará com convicção; apenas com certeza e mais nada. apenas isso. apenas a idéia fixa de que quer aquilo. quer estar ali. quer o vento gelado no rosto - e então quer a expressão congelada no rosto como numa fotografia; como naquelas centenas de fotografias que nunca chegaram a tirar, sabe-se lá porquê.
_
09/dez/07
_
09/dez/07
quinta-feira, 31 de julho de 2008
explicação
e não que exigir demais seja ruim: a utopia nos faz caminhar.
onde será que eu arrumei essa sujeira?
estou a maquinar sobre erratas, e sobre errados.
não sobre situações que induzem, propriamente, ao erro.
mas, sobre o erro, em si.
comuniquemos.
onde será que eu arrumei essa sujeira?
estou a maquinar sobre erratas, e sobre errados.
não sobre situações que induzem, propriamente, ao erro.
mas, sobre o erro, em si.
comuniquemos.
agora fez-se problema
não, exigirei demais de você. nem mesmo qualquer coisa. você é pequena demais para que se possa pedir algo, agora eu sei. e eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta que hoje eu me gosto muito mais*. hoje todo o meu sacrifício de uma vida INTEIRA está sendo colocado a prova.
então saí de casa, a pretexto de não voltar mais: se ficar, eu enlouqueço. eu enloquecerei em mim, depois de você, INEVITAVELMENTE. eu repito as conversas que tivemos e não encontro sequer um momento específico que justifique essa ausência. romper com um comprometimento não é apenas romper, é tornar desinteressante. eu achei que minha vantagem era ter conseguido olhar para você sem que meus olhos se fixassem. mas não, eu estava enganada. você fez com que eu me apaixonasse por você, e agora, ah, agora você quer ir embora. e você vai de um extremo a outro, de um dia para o outro, me deixando no meio, me deixando ser puxada por você e para as direções contrárias para as quais você corre. acho que não obtive respostas, nem qualquer tipo de reação: eu temo acabar em pedaços pelo seu caminho. eu apenas me desloquei rapidamente, tentando acompanhar ser ritmo. eu disse que lhe gostava também. eu quase morri de preocupação naquela noite em que você me ligou e sua voz mal saía, eu mal conseguia ouvir você, porque seus bronquios não estavam suficientemente dilatados. eu não dormi, preocupada. e acordei no dia seguinte, com você dizendo que a minha voz lhe acalmava. mas que calma, que nada. essa mentira não vale a pena.
eu queria de volta os planos que fizemos.
os dias que passaram.
proximidade: AGORA FEZ-SE PROBLEMA.
então saí de casa, a pretexto de não voltar mais: se ficar, eu enlouqueço. eu enloquecerei em mim, depois de você, INEVITAVELMENTE. eu repito as conversas que tivemos e não encontro sequer um momento específico que justifique essa ausência. romper com um comprometimento não é apenas romper, é tornar desinteressante. eu achei que minha vantagem era ter conseguido olhar para você sem que meus olhos se fixassem. mas não, eu estava enganada. você fez com que eu me apaixonasse por você, e agora, ah, agora você quer ir embora. e você vai de um extremo a outro, de um dia para o outro, me deixando no meio, me deixando ser puxada por você e para as direções contrárias para as quais você corre. acho que não obtive respostas, nem qualquer tipo de reação: eu temo acabar em pedaços pelo seu caminho. eu apenas me desloquei rapidamente, tentando acompanhar ser ritmo. eu disse que lhe gostava também. eu quase morri de preocupação naquela noite em que você me ligou e sua voz mal saía, eu mal conseguia ouvir você, porque seus bronquios não estavam suficientemente dilatados. eu não dormi, preocupada. e acordei no dia seguinte, com você dizendo que a minha voz lhe acalmava. mas que calma, que nada. essa mentira não vale a pena.
eu queria de volta os planos que fizemos.
os dias que passaram.
proximidade: AGORA FEZ-SE PROBLEMA.
doer depois
vomitei as vezes que disse que me gostava.
todas as vezes que INSISTIU que me gostava:
é, eu vomitei todas elas.
todas as vezes que INSISTIU que me gostava:
é, eu vomitei todas elas.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
vinte anos velha
seria uma piada;
um motivo de chacota - chacota:
tal palavra lhe cheira naftalina.
e então, dentro dela, certa desobediência emocional.
um motivo de chacota - chacota:
tal palavra lhe cheira naftalina.
e então, dentro dela, certa desobediência emocional.
a outra
então eu me contorci na cama por três horas que demoraram dois dias para passar. novamente, alguns momentos têm mesmo se arrastado. e eu me sinto sem saco para nada, nem paciência, nem qualquer urgência em relação a decisão prolongada dela. é, ela é mesmo indecisa demais. e não que o nosso segmento de afeto não tenha valido nada até aqui, porque de fato não creio nisso. apenas considero, no momento, que sua nobre confissão não tem qualquer valor. a sinceridade é uma merda: a ilusão protege dos riscos ácidos da paixão, assim, prefiro-a incondicionalmente. não tenho posição para deitar e dormir. não me ajeito. a outra parece pinicar meu corpo, cutucar meus ombros, puxar meus travesseiros durante um ato rápido e travesso. eu sinto meu avesso se sobrepor a mim. e não que seja incapaz de admitir ciúme, mas não colocá-lo de forma óbvia me resguarda. a unica forma de não ser louca é não admitindo, assim, a própria loucura a partir da qual me componho. e reponho. e sonho alto. ah, sonhos. eu sonhava, mas e daí? os sonhos não embelezam mesmo, não é?
passo uma das pernas por debaixo da outra. e repasso. e novamente o impasse de sempre, mas essa noite, em particular, seu corpo não me faz companhia. não sinto sua presença, nem sua respiração. nem mesmo o chão do quarto, antes com suas roupas e óculos jogados com confetes de carnaval. nem festa, nem nada. apenas o silêncio de uma noite que não passa. de uma noite que não tem por onde passar, uma vez que seus caminhos já estão de cheios do corpo da outra - não, isso não é um elogio. noutra posição, quem sabe, qualquer intenção de dormir. de pegar o sono e abraçá-lo forte, como ela costumava me abraçar, de forma a não de deixar sair jamais. teimo dizer-lhe: não diga que me ama - você nem sabe o que isso significa. o amor não é pendende, nem dubiativo. o amor é uma impertinência excessiva. não me ame caso pretenda deixar-me. amar não é saudavél.
já passava da meia noite quando me dei conta do ocorrido: hoje estamos a celebrar sete dias. uma semana: sete vezes seguidas de ligações e pendências. às vezes não preciso sequer propor brigas: o destino propoe brigas por nós. é, meu anjo, não tenho tempo para julgar seus extremos como gostaria. eu vivo a fazer emendas com os minutos que me sobram. dedicaria minha vida à você, caso dedicasse até suas dúvidas a mim também. outra vez, metade de você não me serve. e que merda, achei que não passaríamos de novo por isso. mesmo depois de sentar e lhe explicar os densos riscos da poesia, ainda insisto em tratá-la como uma de minhas personagens. digo-lhe frases poéticas em meio a nada ou a qualquer situação.
eu me confundo comigo.
não sei, não consigo.
ainda que tentasse me colocar plenamente sou pequena para essse espaço que me pede. então eu mesma penso em lhe conceder esse espaço, essa distância de pensamento entre nós. ainda que longe, ela parece estar a me rodear o tempo todo. sabe exatamente o que faço, adivinha minhas frases e a forma como mexo no café, enquanto concordo com suas dúvidas. ela sabe a hora que eu quero acordar, que saio para trabalhar. sabe a hora que não trabalho durante o expediente, ainda que sequer tenha pausa para almoço ou lanche. sinto que me conhece sem saber quem sou realmente. assim como em relação a ela, qualquer conceito sobre mim é precipitado. é extremo. é demais. é pesado demais. e tudo se torna, automaticamente, perseguição de instante seguinte. o que se efetiva em um momento, reparte-se no outro. assim, não me ocorre outro desfecho senão este: tempo, ocasião própria. passemos adiante tal cordialidade.
passo uma das pernas por debaixo da outra. e repasso. e novamente o impasse de sempre, mas essa noite, em particular, seu corpo não me faz companhia. não sinto sua presença, nem sua respiração. nem mesmo o chão do quarto, antes com suas roupas e óculos jogados com confetes de carnaval. nem festa, nem nada. apenas o silêncio de uma noite que não passa. de uma noite que não tem por onde passar, uma vez que seus caminhos já estão de cheios do corpo da outra - não, isso não é um elogio. noutra posição, quem sabe, qualquer intenção de dormir. de pegar o sono e abraçá-lo forte, como ela costumava me abraçar, de forma a não de deixar sair jamais. teimo dizer-lhe: não diga que me ama - você nem sabe o que isso significa. o amor não é pendende, nem dubiativo. o amor é uma impertinência excessiva. não me ame caso pretenda deixar-me. amar não é saudavél.
já passava da meia noite quando me dei conta do ocorrido: hoje estamos a celebrar sete dias. uma semana: sete vezes seguidas de ligações e pendências. às vezes não preciso sequer propor brigas: o destino propoe brigas por nós. é, meu anjo, não tenho tempo para julgar seus extremos como gostaria. eu vivo a fazer emendas com os minutos que me sobram. dedicaria minha vida à você, caso dedicasse até suas dúvidas a mim também. outra vez, metade de você não me serve. e que merda, achei que não passaríamos de novo por isso. mesmo depois de sentar e lhe explicar os densos riscos da poesia, ainda insisto em tratá-la como uma de minhas personagens. digo-lhe frases poéticas em meio a nada ou a qualquer situação.
eu me confundo comigo.
não sei, não consigo.
ainda que tentasse me colocar plenamente sou pequena para essse espaço que me pede. então eu mesma penso em lhe conceder esse espaço, essa distância de pensamento entre nós. ainda que longe, ela parece estar a me rodear o tempo todo. sabe exatamente o que faço, adivinha minhas frases e a forma como mexo no café, enquanto concordo com suas dúvidas. ela sabe a hora que eu quero acordar, que saio para trabalhar. sabe a hora que não trabalho durante o expediente, ainda que sequer tenha pausa para almoço ou lanche. sinto que me conhece sem saber quem sou realmente. assim como em relação a ela, qualquer conceito sobre mim é precipitado. é extremo. é demais. é pesado demais. e tudo se torna, automaticamente, perseguição de instante seguinte. o que se efetiva em um momento, reparte-se no outro. assim, não me ocorre outro desfecho senão este: tempo, ocasião própria. passemos adiante tal cordialidade.
terça-feira, 29 de julho de 2008
freqüência nehuma impede
é, disse para que chegasse aqui por volta das nove, mas desde as seis já estou acordada. nem sei direito o que farei lá, apenas estou a repassar o recado. não, não quero nem perguntar. mistérios também fazem parte de mim, mesmo que ainda tenha medo de confessá-los em meio a meu reflexo de cara e coragem. minha identidade é nula. não sei nem soletrar: não deveria ir. minha saúde não corresponde a mim. não sou boa nisso, nem em nada. não ofereço padrões, tampouco imponho minha pessoa a alguém. não me considero assim tão cheia de histórias ou de dicas sobre segurança no trabalho. isso é apenas uma forma básica de arrecadar dinheiro: que seja, não acho justo mesmo assim. o fato de acontecer o tempo todo não torna aceitável.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
simplesmente sabe | 3
pensei que talvez pudesse apenas continuar a fazer suposições sobre nosso futuro, agendando compromissos e festas em casa com jantares para amigos, mas não. achei que tudo era mesmo uma fantasia, um momento breve de êxtase. então eu me sentei na cama, e conversamos por horas, assim, os mesmos planejamentos, seguidos de alguns novos planos para uma vida que não exigirá demais. ela disse que eu era exigente: pois que sou mesmo. teremos um cachorro pequeno, daqueles que parecem ser filhotes para sempre - algumas coisas que se conservam intactas podem se tornar boas com o tempo. e teremos um apartamento grande, mas não enorme: ainda estamos em dúvida quanto ao número exato de quartos. faremos economias, desligando a luz sempre que trocarmos de cômodo. eu lhe disse que poderíamos também começar em um lugar menor, e decorá-lo com o tempo. ela gosta de revistas de arquitetura e decoração de interiores, disse que trataria isso como hobby. eu disse que eu poderia ficar com a casa, ou fazendo compras - mas não sei quanto a isso. não consigo ficar quieta muito tempo, tampouco me dedicar exclusivamente a uma atividade. vou precisar trabalhar também: tudo bem, trabalharemos nisso com o tempo. ainda temos que considerar o resto das contas. água, luz, energia. o gás é por conta do prédio e, quanto a TV a cabo, puxaremos um gato do vizinho, bem como a internet.
outra vez, eu a imagino. vejo seu corpo chegando cansado depois de uma dia comprido de trabalho. escuto o barulho das chaves do carro a trepidar na mesinha: ela finalmente está em casa. ela ascende o abajur ali perto, e coloca a bolsa na cadeira, próximo ainda a entrada da sala. ela sempre repete passos. do quarto, escuto com clareza seu movimento. eu não preciso sequer vê-la: eu já sei exatamente onde ela está. enquanto ela passa pelo corredor, o filhote faz festa para ela. os latidos finos e amorosos se aproximam conforme ela se aproxima da porta também. então, já próximo a entrada, ela o pega no colo com uma mão apenas e faz um carinho em sua cabeça. diz que há horas não via a hora de voltar para casa. eu, sentada na cama, de pijama e óculos, separo as faturas do nosso cartão - gastamos, mas não gastamos demais. ela me olha, agora já dentro do quarto, e afasta os papéis da minha frente. coloca o filhote no chão: minha vez de ficar com ela, e sorri para mim. sei que ela chega normalmente às nove, então já estou contente desde às oito. ela tira o terninho preto - suponho que teve alguma reunião importante, pois ela sempre o usa em dia de fechamento de contratos ou de grandes oportunidades - e se senta ao meu lado, de modo a deformar um pouco a beirada da cama. pergunta como estou, já segurando meu rosto, como se desaparecesse tudo. ela me beija e então me deixa solta. abraça meu corpo forte contra o dela logo em seguida, como se pudesse me deixar partir em um instante e, no outro, não me soltar jamais. ficamos assim por meia dúzia de segundos, até que ela me afasta um pouco de seu rosto e diz que me ama muito. fazemos aquele momento de silêncio convencional que acontece sempre depois das declarações de afeto, e então eu digo que a amo também. o filhote faz festa e solta um grito agudo, como se pedisse atenção também. ela sorri para mim outra vez, abaixa para pegá-lo e o coloca na cama, ao meu lado. aconselha que ele se comporte: vou tomar banho, e já volto. eu balanço a cabeça, de forma a concordar. ela me beija outra vez, e vai até o pequeno closet que temos, pegar a calça velha com a qual dorme sempre. eu a espero voltar para dormimos, e ela sabe disso.
outra vez, eu a imagino. vejo seu corpo chegando cansado depois de uma dia comprido de trabalho. escuto o barulho das chaves do carro a trepidar na mesinha: ela finalmente está em casa. ela ascende o abajur ali perto, e coloca a bolsa na cadeira, próximo ainda a entrada da sala. ela sempre repete passos. do quarto, escuto com clareza seu movimento. eu não preciso sequer vê-la: eu já sei exatamente onde ela está. enquanto ela passa pelo corredor, o filhote faz festa para ela. os latidos finos e amorosos se aproximam conforme ela se aproxima da porta também. então, já próximo a entrada, ela o pega no colo com uma mão apenas e faz um carinho em sua cabeça. diz que há horas não via a hora de voltar para casa. eu, sentada na cama, de pijama e óculos, separo as faturas do nosso cartão - gastamos, mas não gastamos demais. ela me olha, agora já dentro do quarto, e afasta os papéis da minha frente. coloca o filhote no chão: minha vez de ficar com ela, e sorri para mim. sei que ela chega normalmente às nove, então já estou contente desde às oito. ela tira o terninho preto - suponho que teve alguma reunião importante, pois ela sempre o usa em dia de fechamento de contratos ou de grandes oportunidades - e se senta ao meu lado, de modo a deformar um pouco a beirada da cama. pergunta como estou, já segurando meu rosto, como se desaparecesse tudo. ela me beija e então me deixa solta. abraça meu corpo forte contra o dela logo em seguida, como se pudesse me deixar partir em um instante e, no outro, não me soltar jamais. ficamos assim por meia dúzia de segundos, até que ela me afasta um pouco de seu rosto e diz que me ama muito. fazemos aquele momento de silêncio convencional que acontece sempre depois das declarações de afeto, e então eu digo que a amo também. o filhote faz festa e solta um grito agudo, como se pedisse atenção também. ela sorri para mim outra vez, abaixa para pegá-lo e o coloca na cama, ao meu lado. aconselha que ele se comporte: vou tomar banho, e já volto. eu balanço a cabeça, de forma a concordar. ela me beija outra vez, e vai até o pequeno closet que temos, pegar a calça velha com a qual dorme sempre. eu a espero voltar para dormimos, e ela sabe disso.
Assinar:
Postagens (Atom)

