quinta-feira, 10 de julho de 2008

você me cansa, paixão

um chute no ar, uma revolta qualquer. sou mimada mesmo, não aguento coisas serem tiradas de mim. ou tomadas de mim. sequer dou uma mordida do meu chocolate. eu o descasco no canto, só para não ter que o dividir com niguém. sou gulosa. louca de pedra. morro de velho, e olha que nem tenho assim tantas experiências. foda-se. quer ir embora? então que vá. vou jogar o número do telefone dela na privada, pisotear no tapete, fazer uma macumba. uma reza brava. ou braba. comprei-lhe um vaso de flores, de lirios - seus favoritos - e os coloquei em um recipiente de barro com terra fofa e minhocas, as quais eu mesmo nomeei, uma a uma. tenho mesmo essa mania dos detalhes. eu me importo com tudo. mas agora, seu cheiro está no congelador, junto com os brigadeiros que fiz com o maior carinho que tinha - aliás, ainda tenho granulado nas mãos e os dedos melados. ela me disse mesmo que era grudada demais, que se apegava facíl. mentira, correto? apenas mais uma promessa entre outra meia dúzia de breves pretenções. mas o que posso fazer a respeito? se não viver de promessas, vou viver de quê? tudo que tenho são promessas. promessas são as coisas mais concretas que tenho. lancei o vaso torto contra a janela. irrite-me, acho que estou próximo ao limite da minha paciência. não suporto seu rosto. seu corpo no meu. seu gosto no meu. sua boca vermelha e com gosto de doce de padaria. gosto de sonho velho, que fica embrulhado no canto da pia, esperando ser devorado de madrugada. não aguento.


a paixão faz a gente cometer atos estúpidos.

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