estou a iniciar um texto. eu me concentro: e eu sei, eu vou perder um tempo. é como se fosse ter um filho ou fosse decolar, pular de um prédio. passo a ser uma extensão de mim. tropeço, como um bêbado. trago a embriaguez comigo. sou apenas um pacote de receios. sou eu, resguardo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
o tiro
top of the world
e tivesse insistido mais.
e tivesse parado mais há dois meses também.
porque eu estava no topo do mundo.
e você tinha me alçado lá também.
o furo
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
às pressas
sábado, 21 de fevereiro de 2009
coisas que passaram batido
MAS eu sempre esquecia alguma coisa.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
baile das máscaras
carnaval
tempo de folia, orgia, entrudo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
sobre a ressonância
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
em cima do tempo
sábado, 14 de fevereiro de 2009
o buraco de terra
DEPOIS DE HOJE NÃO VAI HAVER NADA.
DEPOIS DE HOJE VAI DESABAR TUDO.
PORQUE VOCÊ VAI CAIR DEPOIS DE HOJE.
E DEPOIS DE HOJE NÃO VAI HAVER NADA.
PORQUE HOJE É O ULTIMO DIA.
- OU SERÁ QUE É O PRIMEIRO?
NÃO HÁ IDÉIA QUE DIGA QUAL DIA É HOJE;
nem o que passou antes disso.
O BURACO ESTÁ ACABADO.
O FUNDO É O FIM OU
OUTRO LADO?
CABE UMA MÃO
ABERTA E
OUTRA
DE TERRA.
CABE
UMA MERA COINCIDÊNCIA AQUI.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
muitas de trânsito
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
um tonto só
ah, o tempo
ELE, O HOMEM DE MIM.
eu sei. as coisas antigas touxeram coisas melhores.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
concepção | 3
TALVEZ enlouquecesse tentando ordená-los.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
o centro
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sinos | 3
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
sinos | 2
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
sinos
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
um pedaço
sábado, 24 de janeiro de 2009
noitada
o que era seu no momento que não era mais meu?
o salto só não dói em um lugar:
no cigarro no chão.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
milhões de vezes
o argumento não foi falho.
a falha que foi pouco, assim como a roupa.
eu não sou mais a mesma.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
você tem um teto, eu não tenho
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sobre pragas
domingo, 18 de janeiro de 2009
das lamentações
contextos
então, por favor avise-me caso eu esteja me antecipando demais.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
a não cobertura de nós
- minhas falhas, intimamente, revelar-me-ão.
e, revelado, reduzir-me-ei a falhas e intimidade.
o tormento vem do outro.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Boemia | 5
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
meu ensaio | 2
notas | 17 - segunda parte
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
notas | 17
domingo, 11 de janeiro de 2009
a estilhaçadora de copos
eu tive a sensação de poder puxar tudo para mim como um tapete, que traz tudo, que engole tudo. ou uma toalha de mesa que exige um movimento rápido, mas, se preciso, impressionante. talvez um dia lembrem de mim dessa forma, a estilhaçadora de copos e louças - melhor do que ser lembrada por um unico copo trincado. o primeiro é o primeiro, o segundo já é parte do resto.
e quanto a mim? eu passaria a noite naquela varanda, se não fosse o tempo. mas você não entenderia. você teria que escrever PARA ISSO.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
dos alívios
(DE GÊNIO)
sabe a sensação?
a musculatura cai. o olho fica boiando na órbita.
e as mulheres ficam muito mais feias do que os homens.
- você já experimentou tomar conhaque? você já viu uma mulher louca, bebendo, caída na vida; aquela cara de dayafter?
então porque isso, não faz sentido nenhum!
a pontuação do bêbado é uma desgraça.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
façanha
posto tudo que está entre o não-ódio e o desamor
que sentimos um pelo outro.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
tenha bons sonhos | 3
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
tenha bons sonhos | 2
domingo, 4 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
tenha bons sonhos
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
meu ensaio
buscava os olhos e buscava no buscar os olhos no beijo. no beijo buscava os olhos porque os olhos eram uma parte importante do beijo – e da busca. buscava os olhos. mas olhos? aonde olhos? quais olhos? não sabia se os olhos que procurava ficavam a cima ou abaixo do queixo – engraçado, olhos abaixo do queixo, talvez nunca tivesse pensado nisso antes. porque a gente não deixa de existir, a gente simplesmente morre. você é o seu dejeto. a festa acabou, o dia, o ano. e não pelas pessoas que não estão mais, mas pela sujeira delas que emerge da calçada. e na vala do que sobrou na gente. porque as pessoas ainda estão ali, puta cidade cara de fim. porque tinha cigarro, chinelo, copo, taça, garrafa. lágrima que deixa marca e sorriso que não deixa. você é o seu dejeto. e então eu pude ver de tão perto aqueles olhos de objeto que tinha e pensei: minha ilusão é a própria da qual se compõe – porque a ilusão se recompõe varias vezes. e logo ele: imitador, ilusionista. meio artista. artista de olhos sem olhos. ou artista de vários olhos, várias mãos e pernas. artista de mim - ou da minha parte rude, mal cuidada. porque a minha parte da cidade era aquela parte toda esquecida. de céu rosa esquecido, vermelho esquecido, azul desbotado e sem nuvem.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
confirmações
a não-espera traz o prolongamento da dúvida.
e que dúvida nos resta?
ESPEREMOS.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
essência
domingo, 28 de dezembro de 2008
ambígua proximidade
suas fotos, seus diários particulares.
NADA.
a cabine | 2
um sofá vermelho. um chá dançante. o vestido de ana laura traz a tona uma lembrança; então é ele quem carrega um livro velho debaixo do braço: com as páginas caindo e com o sorriso sincero mais estupido do mundo. não existe mais nenhum problema agora, portanto, ele apenas iria pedir para que ela fizesse silêncio, pois tinha o mesmo discurso manjado de antes para lhe dizer; ansiava em subornar as mesmas personagens. o rosto dela ainda embriaga suas palavras, suas roupas, e então sua sutil permanência em sua própria sala de estar. e que se danem os loucos e os poetas desvairados que rasgam restratos para esquecer. james não era assim; e não que fosse lá uma pessoa muito equilibrada também, mas não era assim porque ana laura também não era e, dessa forma, nunca havia chegado a tal ponto de exigir demais dele. apenas havia se conformado com uma situação que se arrastara primeiramente através da horas, que então se tonaram dias, e semanas, e por fim meses. e tanto tempo já tinha passado pelo relógio que os ponteiros praticamente estavam desgastados. gastos pela monotonia pousada sobre a pia da cozinha, assim como aquela pilha de pratos sujos. ele não vinha. e ele nunca mais vai voltar, pensava. nunca! e não por ela ser ruim, ou feia, ou arrogante. mas por ela ser boa demais; e tudo o que nela era maravilhoso atigia o orgulho dele - e bem ele, que precisava provar-se homem o tempo todo! ah, tinha que ser ele, claro que tinha; ele era mesmo um egoísta de merda. então pulou pela janela do quarto e desceu pela escada de incêncio enquanto ele continuava ali, sentado, esperando, perplexo em sua própria sala mais uma vez, jogado em sua poltrona mais confortável com os pés para o alto, como se ainda se sentisse em casa. ainda.
terminou dois dias antes de começar
coisas que se faz | 3
(o olho do outro tem vidro, e a gente se vê acondicionado ali - daí o despero. sair de um lugar que não tem porta, janela, ventilação? o olho do outro é abrigo e cárcere incontestável. talvez daí a preferência também.)
sábado, 27 de dezembro de 2008
delírios | 2
sobre brancos desbotados:
vermelho que se transforma em branco desbotado. desbotar é perder cor forte. e quanto ao branco, quando desbota? será que o branco quando desbota deixa de existir? porque o branco não perde a cor, não desvanece, não descora, não altera a cor. o branco não perde a viveza da cor, o branco não empalidece. então o que faz com o branco que desbota? ou melhor, o que faz o branco, dele mesmo, quando desbota?
parece-me que a deficiência dá liberdade. aquilo que lhe tornar invisível dar-lhe-á liberdade também. mas liberdade de quê? liberdade da NÃO-culpa?