segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sobre a beleza esmagadora da ingenuidade do amor


lars von trier.
O amor é um segundo através do qual a avidez da morte se anuncia. Acredito que na disposição justa do raciocínio, a morte apareça como ave noturna, de rapina, garras afiadas e fortes diante da vida. Talvez só discuta o que tem valor; mas certamente nunca é vã. E diante do amor manifestado, proferido por condição única que meu espírito impõe, devota-se por trivialidade, por sobrevivência e nobreza. Acho que é como se a morte se curvasse ante esta beleza. E este amor, por fidelidade ao coração que pratica ato categórico e não de mera contingência, revela sem desmerecer; eleva sem deixar de ser humano; e ampara até à beira da atrofia, sem nunca deixar que ela aconteça. A presença da morte é que permite o verdadeiro ato zeloso do amor. E ela, mesmo que à deveria de definição mais acadêmica ou mercantil, é na realidade, qualquer mínima ideia efêmera de iminente perda que eu possa ter. Só amo o que posso perder, mesmo que por imaginação de fantasmagoria impossível, por onirismo, por ser ocasionalmente cética. Mas quem não é? Por isso, todo esforço praticado neste amor é comovente. Por sua ingenuidade. Por crer que não morre

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